EUA registram segunda morte por gripe H1N1

Por Chris Baltimore e Pascal Fletcher HOUSTON/CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - Autoridades dos Estados Unidos anunciaram na terça-feira uma segunda morte atribuída ao novo vírus H1N1, enquanto o México protestou contra restrições a seus produtos e cidadãos por causa da epidemia, agora mais moderada.

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No Texas, autoridades sanitárias disseram que uma mulher contaminada com o vírus morreu nesta semana. "Uma mulher do Condado Cameron que tinha crônicos problemas de saúde subjacentes morreu no começo desta semana", disse o site do Departamento de Serviços de Saúde do Estado do Texas.

Foi a segunda morte atribuída ao vírus em território norte-americano. A primeira, na semana passada, foi a de um bebê mexicano que estava de passagem pelo Texas.

Especialistas dizem que o vírus H1N1, chamado inicialmente de "gripe suína", parece ser brando e não se espalhar agressivamente fora da América do Norte. Apesar disso, cidadãos e produtos do México, onde houve 26 mortes confirmadas, continuam sendo submetidos a quarentenas e proibições, devido às precauções de diversos governos contra a doença antes desconhecida, que contaminou mais de 1.300 pessoas em 22 países.

Um avião da AeroMexico resgatou na terça-feira dezenas de mexicanos isolados na China por causa de uma quarentena estabelecida pelo governo local, inclusive para pessoas que não apresentavam sintoma algum. O presidente Felipe Calderón considerou a medida uma discriminação contra os seus compatriotas.

A China, muito afetada pela epidemia de Sars em 2003, diz ter agido corretamente, e a exemplo de Rússia e mais de 12 outros países proibiu os produtos mexicanos derivados de carne, apesar de especialistas dizerem que o risco contágio pelo consumo de carne de porco é mínimo.

O México levou seu protesto à Organização Mundial do Comércio, onde pediu que "todos os seus parceiros comerciais eliminem quaisquer medidas restritivas estabelecidas contra produtos mexicanos, o que não está de acordo com a informação científica disponível".

Suinocultores dos EUA e do Canadá também foram afetados pela proibição. Os três países da América do Norte estão entre os maiores exportadores mundiais de produtos suínos, um setor que movimenta 26 bilhões de dólares por ano.

"AZAR DO MÉXICO"

O México diz que o pior já passou, e a partir de quarta-feira o país deve gradualmente retomar sua vida normal, após vários dias paralisado pela epidemia.

Calderón anunciou um pacote de estímulo, inclusive com isenções tributárias, para atrair turistas estrangeiros e operadoras de cruzeiros. O ministro das Finanças, Agustín Carstens, disse que a crise pode custar ao país até meio ponto percentual no crescimento deste ano.

Os pedestres e carros começam a voltar às ruas da Cidade do México, mas o movimento ainda é bem inferior ao normal.

Muitos mexicanos acham que o seu país, já notório pela luta entre cartéis de narcotraficantes, está sendo injustamente estigmatizado.

"Com toda a má reputação que estamos recebendo, vai demorar muito tempo para resgatarmos imagem da nação... Foi azar do México", disse o motorista Jorge Ramírez, 48 anos.

"Não deveria haver restrições ou fechamento das fronteiras (...) Não é útil culpar ou estigmatizar as pessoas que por acaso são cidadãos de países infectados", disse a jornalistas o médico Jon K. Andrus, da Organização Pan-Americana da Saúde.

(Reportagem adicional de Louise Egan, Daniel Trotta, Luis Rojas Mena, Michael O'Boyle, Pascal Fletcher na Cidade do México, Laura MacInnis, Stephanie Nebehay em Genebra, Silvia Aloisi em Roma, Royston Chan em Xangai, Maggie Fox, Andy Quinn em Washington)

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