EUA reforçam procedimentos de segurança em aeroportos

Passageiros passarão por revista manual mais invasiva e terão de informar dados pessoais às companhias aéreas

Luísa Pécora, iG São Paulo |

Novas regras de segurança entram em vigor nos aeroportos dos Estados Unidos nesta segunda-feira, três dias depois de explosivos terem sido encontrados em aviões que seguiam em direção ao país. As mudanças, definidas antes do ataque, incluem revista manual mais invasiva e a exigência de que passageiros informem nome, data de nascimento e sexo no momento em que fizerem a reserva da passagem aérea.

AP
Passageira é revistada em aeroporto de Seattle, nos EUA

Segundo a imprensa americana, desde a semana passada passageiros notaram mudanças no sistema de revista corporal. Os agentes de segurança, que antes apenas batiam as mãos no corpo dos passageiros, passaram a deslizar as mãos, num procedimento mais invasivo.

Uma funcionária da rede CNN, Rosemary Fitzpatrick, disse ter chorado ao ser revistada em um aeroporto de Orlando, na Flórida, na noite de quarta-feira. De acordo com Rosemary, o aro de seu sutiã fez o detector de metais disparar. Em seguida, uma agende de segurança a levou para uma área privada e passou as mãos em seus seios, barriga, nádegas e na parte interna de suas coxas. “Me senti indefesa, violentada e humilhada”, afirmou, em reportagem publicada no site da emissora.

Nos Estados Unidos, passageiros passam por revista manual em três casos: se fizerem soar o detector de metais, se recusarem passar por scanners corporais ou se os scanners indicarem alguma suspeita.

A Administração de Segurança de Transportes (TSA, na sigla em inglês) anunciou uma mudança no sistema de revista na quinta-feira, mas não especificou qual seria a novidade no procedimento por razões de segurança. Em comunicado, informou apenas que os passageiros “devem esperar uma combinação imprevisível de diferentes camadas de segurança que incluem detecção de explosivos, tecnologia avançada de imagem, equipe de cães, entre outros.”

O órgão afirmou, ainda, que a revista manual é “uma importante ferramenta para detectar itens perigosos que possam estar escondidos, como explosivos”. Além disso, disse que “leva a sério questões de privacidade” e que o procedimento continuará sendo feito por agentes de segurança do mesmo sexo dos passageiros.

Informações antes do embarque

A partir desta segunda-feira, todo passageiro terá de informar nome, data de nascimento e sexo à companhia aérea no momento em que fizer a reserva da passagem. A Administração de Segurança de Transportes exigirá os dados com antecedência de pelo menos 72 horas, para ter tempo de aprovar o embarque.

A medida atende a uma recomendação feita por uma comissão sobre segurança aérea criada logo após os ataques de 11 de Setembro. A partir de agora, a TSA será responsável por cruzar as listas de passageiro de cada voo com as listas de monitoramento do governo americano, que contêm nomes de pessoas que precisam passar por revista detalhada antes de entra nos EUA – ou podem até mesmo ser proibidas de embarcar em voos para o país.

© AP
Passageiros passam por sistema de segurança no aeroporto de Atlanta, nos EUA

As companhias aéreas tiveram um ano para se adaptar às novas exigências e, aos poucos, passaram a exigir as novas informações. Ainda assim, autoridades americanas recomendam que, durante o mês de novembro, passageiros cheguem mais cedo aos aeroportos no caso de acontecerem atrasos no check-in.

Explosivos

Na sexta-feira, dois pacotes suspeitos foram interceptados por autoridades da Grã-Bretanha e de Dubai. Os pacotes, que continham explosivos, partiram do Iemên em direção aos Estados Unidos. De acordo com a imprensa americana, o principal suspeito é Ibrahim Hassan al-Asiri, um cidadão da Arábia Saudita que seria um dos líderes da Al-Qaeda na Península Arábica.

Segundo o presidente americano, Barack Obama, os dois dispositivos estavam direcionados a organizações judaicas na área da cidade americana de Chicago. Ele não especificou quais seriam as instituições.

Obama afirmou que as autoridades descobriram uma "ameaça terrorista real" contra os EUA. "Os eventos das últimas 24 horas mostram a necessidade de permanecer em vigilância", disse.

*Com BBC

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