EUA reforçam presença no Haiti com mais tropas e visita de Bill Clinton

Washington, 18 jan (EFE).- Os Estados Unidos reforçaram hoje sua presença no Haiti com o envio de mais tropas e a visita do ex-presidente Bill Clinton, ao mesmo tempo que se defenderam das críticas de outros países em relação ao seu papel na crise humanitária haitiana.

EFE |

Enviado especial da ONU para o Haiti, Clinton chegou hoje à capital haitiana, Porto Príncipe, acompanhado de sua filha, Chelsea, e de uma carga de ajuda humanitária destinada a atenuar as necessidades de centenas de milhares de desabrigados pelo terremoto de terça-feira passada.

O ex-presidente americano percorreu alguns dos hospitais que estão atendendo os feridos para conversar com pacientes e verificar a situação do país caribenho, com quem mantém uma relação próxima.

Além disso, Clinton deve se reunir com o presidente do Haiti, René Préval, e outros representantes do Governo local.

Em uma entrevista à "CNN", o ex-presidente dos EUA mostrou sua preocupação com o futuro do Haiti no médio prazo e destacou a importância de arrecadar fundos para sua reconstrução.

Junto com o ex-presidente americano George W. Bush, Clinton impulsiona um fundo para a reconstrução do país caribenho.

Bill Clinton chega ao Haiti dois dias depois da visita de sua esposa, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, que viajou ao país para transferir ao povo haitiano a solidariedade e o compromisso de Washington.

O casal Clinton expressou em várias ocasiões sua proximidade com o povo do Haiti, onde passaram sua lua-de-mel há 35 anos e para onde retornaram outras vezes.

Os EUA preparavam hoje a chegada ao Haiti de outros 7.500 militares que se somarão aos 5.800 já deslocados ao país, em meio a críticas de alguns países quanto à grande presença militar no Haiti e ao controle que assumiu do aeroporto de Porto Príncipe.

Além disso, o Exército dos EUA começou hoje a inspecionar o porto de Porto Príncipe, que está inoperante, para avaliar os danos e prepará-lo para a reabertura ainda nesta semana, o que serviria para abrir uma nova via de entrada de ajuda.

Um dia depois do terremoto, a Força Aérea dos EUA começou a operar o aeroporto da capital haitiana, pelo qual passaram até o momento 600 voos com pessoal humanitário, artigos de primeira necessidade e pessoas que deixaram o Haiti.

Sexta-feira, o departamento de Estado americano legalizou a concessão do controle do aeroporto aos soldados americanos mediante a assinatura de um Memorando de Entendimento.

O aeroporto opera a plena capacidade 24 horas por dia, o que permite receber 100 voos diários com ajuda humanitária.

Alguns países, como França, Venezuela e Nicarágua, reclamaram da falta de coordenação e do congestionamento no aeroporto, e consideram que os voos de Washington têm prioridade sobre os de outros países.

O secretário de Estado de Cooperação francês, Alain Joyandet, pediu nesta manhã em Paris para que a ONU definisse o papel dos EUA no Haiti, porque "não se trata de ocupar o país, mas de ajudá-lo a recuperar a vida", disse.

Joyandet reclamou aos EUA das dificuldades que teve para o pouso de um avião francês que transportava um hospital móvel, o que o diplomata considerava como prioritário.

Já os presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmaram que os EUA estão aproveitando a tragédia do Haiti para "ocupar" militarmente o país.

Por isso, os EUA tentaram hoje conter as críticas ao assegurar, em comunicado conjunto com o Executivo haitiano, que o país caribenho vê seus esforços como "essenciais" e pediu sua assistência, além de ressaltar o respeito à "soberania" do Haiti.

Comandantes do Pentágono e responsáveis do departamento de Estado americano justificaram hoje a atuação dos Estados Unidos no Haiti.

O general Cornell Wilson, da Infantaria da Marinha, afirmou que os EUA "não querem ocupar militarmente" o Haiti, e explicou que seu pessoal não está treinado apenas para situações de combate, mas também para realizar tarefas humanitárias.

Já o responsável adjunto da Embaixada dos EUA no Haiti, David Lindwall, assegurou que a presença americana no país se deve a um pedido direto de Préval.

"O presidente Préval nos pediu desde o início que fôssemos e que levássemos toda a assistência possível", disse.

"O Exército dos EUA tem uma grande experiência nisso, tem uma grande experiência no Haiti e tem recursos que outras agências demorariam dias para mobilizar", acrescentou Lindwall.

O terremoto de 7 graus na escala Richter aconteceu às 19h53 (Brasília) da terça-feira passada e teve epicentro a 15 quilômetros de Porto Príncipe, a capital haitiana. Segundo declarações à Agência Efe, o primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive, acredita que o número de mortos superará 100 mil.

O Exército brasileiro informou que pelo menos 17 militares do país que participavam da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) morreram em consequência do terremoto.

A médica Zilda Arns, fundadora e coordenadora da Pastoral da Criança, e Luiz Carlos da Costa, o segundo civil mais importante na hierarquia da ONU no Haiti, também morreram no tremor. EFE cae-pgp/bba

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