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EUA recorrem de sentença contra Mercador da Morte e querem extradição

Bangcoc, 14 ago (EFE).- Os Estados Unidos recorreram hoje da sentença de um tribunal tailandês que tinha rejeitado extraditar o traficante de armas russo Viktor Bout, conhecido como Mercador da Morte, acusado pela Justiça americana de ter vendido mísseis às Força Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

EFE |

A pedido da Embaixada dos EUA em Bangcoc, o procurador-geral da Tailândia apresentou o recurso, em um prazo de 72 horas, após a divulgação da sentença, na terça-feira.

Uma vez tramitada a instância diante da Suprema Corte, a acusação terá 30 dias para preparar seu caso, explicaram fontes do Ministério de Assuntos Exteriores tailandês.

Durante esse tempo, Bout continuará preso. O criminoso estava preparado para ser solto hoje se as autoridades americanas não tivessem decidido recorrer do veredicto.

O Departamento de Justiça dos EUA o acusou de estar envolvido em operações de venda para as Farc de 800 mísseis terra-ar, 5 mil fuzis AK-47, explosivos C-4 e minas, entre outras armas em um valor calculado em milhões de dólares.

Segundo a Polícia Federal americana (FBI), Bout também tentou comprar uma bateria antiaérea e planejou o assassinato de cidadãos americanos. O criminoso se declarou culpado pelos crimes e pode ser condenado a prisão perpétua pela Justiça dos EUA.

Mas em sua sentença, o juiz Jitakorn Patanasir argumentou que as acusações apresentadas pelos EUA não podem ser julgadas pela lei tailandesa e afirmou que a natureza do processo foi mais política que judicial.

Embora as Farc sejam consideradas uma organização terrorista pelos EUA, a guerrilha colombiana "está lutando por uma causa política e não é um grupo criminoso", na opinião do juiz tailandês.

Patanasir deu razão aos advogados de Bout, que sempre insistiram em sua inocência e denunciou que o processo contra ele foi uma operação política criada pelo Governo da Colômbia e apoiada pelos EUA para enfraquecer a guerrilha.

Durante o julgamento, a defesa manteve que o "Mercador da Morte" não cometeu crime algum na Tailândia e que os EUA não têm competências sobre as atividades de seu cliente em outro país.

Bout foi detido em março de 2008, em um luxuoso hotel de Bangcoc, por funcionários da agência antidroga dos EUA que se fizeram passar por compradores de armamento. Inicialmente, o "Marcador de Morte" ia ser julgado na Tailândia pelo crime de apoio ao terrorismo, que é punido com um máximo de dez anos de prisão, mas as acusações foram retiradas por falta de provas.

Foi então quando Washington pediu formalmente a prisão do "Mercador da Morte", que afirma ser um honroso empresário.

Bout liderou durante anos uma das maiores redes privadas de contrabando de armas do mundo, que vendia desde fuzis e bazucas até carros de combate e helicópteros, afirmaram o FBI e o MI6 britânico.

O "Mercador da Morte" fez negócios com alguns dos regimes mais sanguinários das últimas duas décadas na África e na Ásia e com ditadores como o liberiano Charles Taylor e o terrorista Osama bin Laden, que pagava à vista as encomendas para a Al Qaeda.

Sua fama é tamanha que sua vida real inspirou o filme de Hollywood "O Senhor das Armas", onde um traficante de armas interpretado por Nicolas Cage aproveita a queda da União Soviética para ganhar dinheiro com os arsenais que adquiriu através de subornos a generais corruptos.

Bout comprou armas na Bulgária, Moldávia e Ucrânia, para vendê-las em países em conflitos armados como Angola, Serra Leoa ou a República Democrática do Congo, escapando de todos os embargos internacionais que encontrou pelo caminho.

Se o Supremo tailandês confirmar o veredicto, os EUA não poderão recorrer da sentença novamente e o "Mercador da Morte" será solto no prazo de 30 dias. EFE tai/pd

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