EUA recebem representantes de Honduras para reativar negociações

O subsecretário de Assuntos Hemisféricos dos Estados Unidos, Craig Kelly, se reuniu nesta terça-feira com uma delegação hondurenha que apóia o governo interino de Honduras, liderado por Roberto Micheletti. A reunião, de caráter não-oficial, faz parte dos esforços do governo americano para tentar reativar as negociações, iniciadas pela Costa Rica, para permitir o retorno do presidente deposto, Manuel Zelaya, ao poder.

BBC Brasil |

O Departamento de Estado americano classificou o encontro como "privado" e para destacar esse caráter não-oficial, realizou a reunião na sede da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington.

A delegação hondurenha é liderada pela ex-presidente da Corte Suprema do país Vilma Morales e integrada ainda pelo advogado Mauricio Villeda e pelo ex-candidato presidencial Arturo Corrales.

Acordo de San José
Apesar de o encontro ter sido totalmente fechado à imprensa, o porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, disse que o objetivo da reunião seria "avançar para a restauração do poder democrático e constitucional em Honduras".

"De maneira alguma implica que se aceite ao governo interino", disse Kelly.

Após a reunião, o Departamento de Estado informou que o governo "enfatizou" à delegação hondurenha a "urgência para alcançar um acordo dentro do Acordo de San José para alcançar uma solução pacífica e negociada à crise política".

Em contrapartida, a delegação hondurenha disse à BBC Mundo que não fariam declarações à imprensa.

A previsão é que os representantes fiquem em Washinton até sexta-feira.

O Acordo de San José, proposto pelo governo costarriquenho, prevê o retorno de Zelaya ao poder e a formação de um governo de coalizão no país. Além disso, a proposta inclui ainda anistia para crimes políticos cometidos durante a crise no país.

Crise diplomática
Ainda nesta terça-feira, o governo da Argentina ignorou a ordem de expulsão contra os diplomatas argentinos que trabalham na embaixada em Honduras, feita pelo governo interino de Micheletti.

O governo interino ordenou que os diplomatas argentinos deixem o país em 72 horas e indicou que a "relação diplomática entre Honduras e Argentina" será feita por meio de Israel.

Segundo o governo interino, a decisão foi baseada na "noção de reciprocidade diplomática".

Na última semana, o ministério das Relações Exteriores da Argentina informou que havia "anulado as funções" da embaixadora de Honduras no país, Carmen Eleonora Ortez Williams.

De acordo com o governo argentino, a decisão teria sido tomada porque a diplomata teria demonstrado apoio público ao governo de Micheletti, não reconhecido pela Argentina.

Além da Argentina, o governo interino hondurenho também já havia ordenado a retirada dos diplomatas venezuelanos do país.

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