EUA recebem com cautela anúncio das Farc sobre fim de sequestro de civis

Menos de 24 horas depois de anúncio, quatro morrem em ataque atribuído à guerrilha, que mantém 405 civis em poder, segundo ONG

iG São Paulo |

Os Estados Unidos se mostraram cautelosos nesta segunda-feira diante do anúncio das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) de que não irão mais sequestrar civis e disseram esperar que a guerrilha cumpra com a promessa feita no domingo.

AP
Militares protestam por liberação de colega de trabalho, mantido em cativeiro pelas Farc (23/2)
Guerrilha: Farc anunciam fim de sequestros e libertação de 10 reféns

"Os Estados Unidos apoiam a libertação de reféns como um passo importante e necessário. Lembramos que as Farc prometeram no passado libertações de reféns; essas promessas não são confiáveis até que sejam levadas adiante realmente", explicou a porta-voz do Departamento de Estado Neda Brown ao jornal colombiano El Tiempo. "Apoiamos o apelo do presidente (colombiano Juan Manuel) Santos para que as Farc renunciem à violência, à ilegalidade e para que libertem todos os reféns", acrescentou.

Ataque

Menos de 24 horas depois de a guerrilha colombiana ter anunciado que não sequestrará mais civis, a Sexta Frente das Farc deu início na madrugada desta segunda-feira a um ataque com bombas artesanais contra postos policial e militar do centro da cidade de Caldono, no Departamento de Cauca. Os ataques deixaram ao menos quatro mortos.

O secretário municipal Carlos Pascué disse não ter conseguido sair de casa pela intensidade dos ataques. "As Farc estão cometendo ataques desde 5h20 (horário de Brasília) com morteiros e bombas. Estamos sobrevoando o local com os helicópteros de autoridades, mas é muito complicada a situação em Caldono", afirmou Pascué à emissora colombiana Caracol Radio.

Segundo Pascué, uma cabine da Polícia está no meio da estrada e era possível perceber medo de algumas pessoas, que começaram a deixar as partes altas em busca de abrigo. Alguns moradores se esconderam em um convento enquanto outros preferiram não deixar suas casas. De acordo com o secretário, autoridades enviaram reforços da capital de Cauca, Popayán, e de Cali.

Sequestrados

Fundado nos anos 60, o grupo guerrilheiro hoje mantém em seu poder 405 civis, segundo a ONG Fundación País Libre. Segundo a diretora Olga Lucía Gómez, os prisioneiros foram sequestrados nos últimos dez anos como forma de as Farc financiarem suas atividades.

Na mensagem divulgada domingo sobre a promessa de não sequestrar mais civis, ontem, o grupo afirma também que entregará, em data não definida, os dez policiais e militares que estão em seu poder.

Conflito: Morre chefe máximo das Farc na Colômbia

Os dados da ONG foram elaborados com o cruzamento de números registrados pelo Ministério da Defesa e são o resultado de um estudo sobre sequestros das Farc realizado entre 2002 e dezembro de 2011.

"Eles fazem um pronunciamento de que não voltarão a sequestrar civis, mas gostaríamos de saber o que se passou com estes 405 reféns que estão em cativeiro, segundo as autoridades colombianas", questionou Olga.

Segundo ela, a organização sempre ocultou a situação dos sequestrados civis, e só comentava sobre os reféns políticos, que servia de moeda de troca por guerrilheiros presos.

Dos 255 sequestros realizados entre janeiro e novembro de 2011 no país, segundo números da divisão Antisequestro da Polícia Nacional da Colômbia, 145 foram crimes comuns, 72 foram praticados pelas Farc, 30 pelo Exército de Libertação Nacional (ELN) e oito por outros grupos paramilitares.

*Com EFE

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