Representantes americanos e cubanos iniciaram discussões informais para tentar relançar o diálogo entre os dois países após a suspensão de restrições a Cuba decididas pelo presidente americano Barack Obama, anunciou nesta segunda-feira o Departamento de Estado.

A primeira das reuniões durante o governo Obama ocorreu no dia 13 de abril, entre o responsável para a América Latina do Departamento de Estado, Thommas Shannon, e o chefe do gabinete de interesses cubanos em Washington, informou em uma entrevista coletiva à imprensa o porta-voz do Departamento, Robert Wood.

Shannon e o representante cubano voltarão a se encontrar nesta segunda-feira "em um lugar escolhido por ambas as partes", disse Wood, sem dar maiores detalhes sobre o local da reunião. A primeira foi realizada no Departamento de Estado, disse.

Wood não especificou se estão previstas reuniões posteriores e minimizou a importância desses encontros, indicando que serão realizados encontros "periódicos".

"Estou certo de que haverá conversas sobre as medidas que o presidente anunciou recentemente", disse Wood.

"Não há uma lista preparada para abordarmos na reunião (desta segunda-feira). Temos preocupações sobre as políticas cubanas. Nós as discutiremos", disse Wood.

O presidente Barack Obama havia admitido em entrevista coletiva ao final da V Cúpula das Américas que meio século de políticas americanas para Cuba "não funcionaram", mas afirmou que não acontecerão mudanças rápidas.

"Estas políticas de Washington para Cuba não funcionaram como nós desejávamos, já que o povo cubano não é livre", reconheceu Obama.

No entanto, ele ressaltou que a política americana para Havana "não mudará da noite para o dia".

"Temas como os dos prisioneiros políticos, liberdade de expressão e democracia são importantes, e não podem ser deixados de lado", explicou o presidente americano, dando a entender que espera ações de Havana neste sentido.

Cuba e Venezuela, assim como os Estados Unidos, devem mostrar "não simples palavras, mas também fatos" se desejam melhorar as relações, afirmou também o presidente Barack Obama.

Ao destacar "sinais positivos" nas relações de Washington com os dois países latino-americanos, muito críticos da política americana, Obama ressaltou que os sinais devem ser apoiados por ações.

"A prova para todos nós não são simples palavras, mas também fatos", afirmou Obama em relação a Havana e Caracas.

O líder cubano Fidel Castro já havia considerado "positiva", embora "mínima", a decisão do presidente Barack Obama de suspender as restrições às viagens e ao envio de dinheiro a Cuba.

"A medida de aliviar as restrições às viagens em si é positiva, embora mínima. Faltam muitas outras, incluindo a eliminação da Lei assassina de Ajuste Cubano (de 1966), que se aplica exclusivamente" a Cuba, ressaltou Fidel, num artigo publicado no site digital Cubadebate.

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