EUA reagem com cautela a proposta nuclear iraniana

O governo dos Estados Unidos reagiu com cautela nesta quarta-feira após o Irã aparentemente aceitar um acordo para enviar urânio para ser enriquecido fora do país em troca de combustível nuclear.

BBC Brasil |


Um porta-voz da Casa Branca afirmou que se a posição iraniana significar uma nova oferta, os americanos estão "preparados para ouvir". Segundo o porta-voz, o Irã deve submeter uma oferta formal à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse na terça-feira que o Irã não teria "nenhum problema" se a maior parte de seus estoques de urânio fosse mantido no exterior por vários meses antes de ser enviado de volta na forma de bastões de combustível nuclear.

Nesta terça-feira, a TV iraniana anunciou o lançamento com sucesso de um foguete para lançamento de satélites levando uma "cápsula experimental".

Os Estados Unidos e vários países ocidentais estão preocupados com a crescente capacidade tecnológica do Irã para lançamento de mísseis e sua possível ligação com o programa nuclear do país.

O Irã insiste que tanto seu programa nuclear quanto seu programa de lançamento de foguetes têm objetivos pacíficos.

Acordo

Um acordo fechado em outubro entre o Irã, a AIEA e o chamado grupo P5+1, formado pelos cinco países do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha e França) mais a Alemanha, previa o envio de cerca de 70% do urânio iraniano com baixo índice de enriquecimento (3,5%) para a Rússia e para a França, onde seria processado e transformado em combustível para um reator nuclear, com enriquecimento de 20%.

Mas no mês passado, diplomatas disseram que o Irã havia dito à AIEA que não aceitava os termos do acordo e pedia uma troca simultânea entre o urânio e o combustível em seu próprio território.

Em uma entrevista à TV estatal iraniana na terça-feira, porém, Ahmadinejad negou as supostas preocupações de que países ocidentais possam reter o urânio do Irã.

"Não temos problemas em enviar nosso urânio para o exterior", disse. "Nós dizemos: 'Nós daremos a vocês nosso urânio enriquecido a 3,5%' e teremos em troca o combustível. Pode levar de quatro a cinco meses até termos o combustível."

Ceticismo

O correspondente da BBC para Teerã, Jon Leyne, diz que ainda há um ceticismo sobre se a oferta de Ahmadinejad é algo mais do que uma tática de protelação para tentar suspender as sanções internacionais contra o país.

Em uma reação inicial aos comentários do presidente iraniano, o porta-voz do Departamento de Estado americano Philip J. Crowley disse que os Estados Unidos "não estão preparados para mudar o acordo". "Não estamos interessados em renegociar o acordo", afirmou.

Um porta-voz da Casa Branca disse depois à BBC: "Se os comentários do senhor Ahmadinejad refletem uma nova posição iraniana, nós esperamos que o Irã informe a AIEA". "Se o Irã tiver algo novo a dizer, estamos prontos para ouvir", disse.

A Rússia também teve uma reação contida à oferta iraniana. "Se o Irã quiser voltar ao esquema proposto em outubro, consideramos isso positivo", disse o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov.

O ministério das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, por sua vez, disse que se o Irã estiver pronto a aceitar o acordo de outubro, espera que o governo iraniano comunique sua posição à AIEA.

"Se o Irã estiver disposto a aceitar a oferta da AIEA, seria um sinal positivo de sua vontade de se engajar com a comunidade internacional nas discussões sobre as questões nucleares", disse um porta-voz do ministério britânico.

Troca de prisioneiros

Na entrevista na terça-feira, Ahmadinejad falou também sobre negociações sobre uma possível troca de vários iranianos presos nos Estados Unidos por três mochileiros americanos atualmente presos no Irã.

"Também há negociações em andamento para uma troca (de prisioneiros), se for possível", disse o presidente iraniano. "Esperamos que todos os prisioneiros sejam libertados", afirmou.

Ahmadinejad não deu detalhes, mas em dezembro o governo iraniano divulgou uma lista de 11 iranianos que estariam sendo mantidos em prisões americanas, incluindo um cientista nuclear que desapareceu na Arábia Saudita e um ex-funcionário do Ministério da Defesa que desapareceu na Turquia. Os Estados Unidos negaram saber dos paradeiros dos iranianos desaparecidos.

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