EUA reagem à ameaça do Irã de bloquear Estreito de Ormuz

Porta-voz da Quinta Frota americana afirmou que interrupção de passagem importante para escoamento do petróleo não será tolerada

iG São Paulo |

A Quinta Frota dos Estados Unidos afirmou nesta quarta-feira que não permitirá nenhuma interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, depois que o Irã ameaçou impedir os navios de passarem pela estratégica rota responsável pelo escoamento de um quinto do petróleo utilizado no mundo inteiro.

Leia também: Irã ameaça fechar Estreito de Ormuz se sofrer sanções

Reuters
Militares iranianos colocam bandeira em um submarino de guerra Velayat-90 no estreito de Ormuz

"O livre fluxo de mercadorias e serviços pelo estreito é vital para a prosperidade regional e global", disse uma porta-voz da frota, baseada no Bahrein, em resposta por escrito a perguntas feitas pela Reuters sobre a possibilidade de o Irã fechar a passagem.

"Quem quer que ameace prejudicar a liberdade de navegação em um estreito internacional está claramente fora da comunidade de nações. Nenhuma interrupção será tolerada", disse a porta-voz.

Indagada sobre se estava adotando alguma medida específica em resposta à ameaça de fechamento do estreito, a assessora respondeu que a frota mantém uma "presença robusta na região para deter ou conter atividades desestabilizadoras", e não deu mais detalhes.

A declaração da porta-voz da frota vem em resposta a declarações recentes das autoridades iranianas. Nesta quarta-feira, o mais alto comandante naval do Irã afirmou que bloquear o Estreito de Ormuz, no Golfo, a petroleiros seria "mais fácil que beber um copo d'água" para o Irã, se o país considerar a ação necessária, aumentando os temores sobre a mais importante rota de passagem do produto no mundo.

"Fechar o Estreito de Ormuz é realmente muito fácil para as forças armadas do Irã ... ou, como os iranianos dizem, será mais fácil que beber um copo de água", disse Habibollah Sayyari à emissora iraniana de língua inglesa Press TV.

"Mas, nesse momento, não precisamos fechá-lo, já que temos o Mar de Omã sob controle, e podemos controlar o trânsito", disse Sayyari, que está no comando de dez dias de manobras militares iranianas em Ormuz.

O Estreito de Ormuz liga o Golfo - e os países produtores de petróleo, Bahrein, Kuwait, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos - ao Oceano Índico.

Pouco depois das declarações de Sayyari, a França fez um chamado ao Irã para que respeite a lei internacional, permitindo a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz. "Nós pedimos às autoridades iranianas que respeitem a lei internacional e, em particular, a liberdade de navegação em águas internacionais e estreitos", disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Bernard Valero, em seu comunicado online, parte de um serviço regular noticioso do órgão.

"O Estreito de Ormuz é um estreito internacional. Como resultado, todos os navios, não importa sua nacionalidade, se beneficiam do direito de trânsito, em linha com a Convenção das Nações Unidas de 1982 sobre a Lei do Mar e a aduana marítima internacional", acrescentou.

A questão do Estreito de Ormuz veio à tona quando uma autoridade iraniana ameaçou fechá-lo na terça-feira em resposta às sanções econômicas feitas pelos Estados Unidos e seus aliados ocidentais.

A declaração do primeiro vice-presidente iraniano, Mohammad-Reza Rahimi, ocorre em meio às vésperas da assinatura do presidente Obama em uma lei que, se for implementada completamente, pode reduzir substancialmente as receitas de petróleo do Irã, em uma tentativa de impedir que o país persa trabalhe para obter armas nucleares.

Temeroso pelo impacto da possibilidade de mais sanções na economia já prejudicada do Irã, o terceiro maior exportador de energia do mundo, Rahimi disse: "Se eles impuserem sanções na exportação de petróleo do Irã, nenhuma gota de óleo vai conseguir passar do Estreito de Ormuz".

O anúncio sobre a possibilidade de fechamento do único canal de acesso a oito Estados do Golfo Arábico aliados dos Estados Unidos impulsionou os preços do petróleo na terça-feira, embora os valores tenham recuado nesta quarta-feira por causa dos fracos negócios e pelo fato de o mercado ter interpretado as ameaças como retórica.

As medidas punitivas contra o Irã vem um mês e meio depois de a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ter publicado um relatório que pela primeira vez afirma que o país persa trabalha secretamente para obter armas nucleares, apesar de Teerã ter negado isso repetidas vezes.

Devido ao relatório da AIEA e um ataque em novembro à Embaixada do Reino Unido em Teerã , a União Europeia irá igualmente aplicar sanções severas, que incluem um embargo ao petróleo iraniano.

Por cinco anos, os Estados Unidos implementaram sanções rígidas na tentativa de forçar os líderes do Irã em reconsiderar seu programa nuclear, além de responder a uma extensa lista de perguntas da AIEA.

Com Reuters, The New York Times e BBC

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