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EUA alertaram Índia sobre risco de ataques, diz imprensa americana

Os Estados Unidos alertaram a Índia sobre uma possível ameaça pelo menos um mês antes dos ataques realizados na semana passada em Mumbai, segundo informações da imprensa americana divulgadas nesta terça-feira.

BBC Brasil |

Também nesta terça-feira, o chefe de polícia de Mumbai, Hassan Gafoor, disse em uma coletiva de imprensa que as autoridades haviam recebido "um alerta de que hotéis como o Taj Mahal Palace poderiam estar expostos a esse tipo de ameaça".

O Taj Mahal Palace foi um dos alvos dos ataques simultâneos realizados contra a capital financeira da Índia na semana passada, que deixaram 188 mortos, entre eles 22 estrangeiros, e mais de 200 feridos.


Indiano observa o hotel Taj Mahal, atingido pelos ataques da última semana / AP

Segundo a rede de TV ABC News, autoridades indianas afirmaram que, após ter recebido o alerta dos Estados Unidos, também interceptaram uma mensagem de um telefone por satélite no dia 18 de novembro que falava de um ataque a Mumbai por mar.

A ABC News disse que Mumbai esteve sob alerta máximo, mas que as medidas de segurança haviam sido relaxadas recentemente nos locais que foram alvos dos ataques.

A rede americana também informou que as autoridades indianas obtiveram um cartão SIM de telefone celular pertencente a um dos responsáveis pelos ataques no qual havia contatos e informações valiosas.

As revelações foram feitas no momento em que o comandante da Marinha indiana disse que ocorreram "falhas sistemáticas" nos serviços de segurança e de inteligência do país.

As novas alegações deverão aumentar ainda mais o descontentamento da opinião pública, que afirma que os ataques poderiam ter sido evitados.

O ministro do Interior indiano, Shivraj Patil, e outras autoridades renunciaram depois dos ataques, em meio às críticas a respeito da maneira como o governo enfrentou a crise.


Soldado indiano observa destruição após ataque em estação de trem / Reuters

Paquistão

Os ataques da semana passada foram lançados simultaneamente contra vários locais de Mumbai, incluindo dois hotéis de luxo, a principal estação de trem, um hospital, um centro judaico e um restaurante freqüentado por estrangeiros.

Em alguns dos locais os confrontos entre militantes e tropas de elite indianas se estenderam por até três dias.

Nos últimos dias, autoridades indianas têm afirmado repetidas vezes que há provas de que os militantes por trás dos ataques tinham ligações com o Paquistão. O governo de Islamabad nega qualquer envolvimento nos ataques.

Nesta terça-feira, a Índia pediu ao Paquistão que entregue 20 fugitivos da Justiça indiana que estariam em território paquistanês.

O ministro do Exterior da Índia, Pranab Mukherjee, disse que os nomes dos fugitivos foram entregues durante um protesto formal ao governo paquistanês em relação aos ataques em Mumbai.

"Nós pedimos a prisão e a entrega daquelas pessoas que estão vivendo no Paquistão e são fugitivas da Justiça indiana", disse Mukherjee em uma entrevista coletiva em Nova Déli.

Ainda não está claro se os fugitivos listados pelo governo indiano têm relação com os ataques em Mumbai.

Segundo a imprensa indiana, a lista de nomes parece estar baseada em uma relação semelhante divulgada depois dos ataques ao Parlamento indiano em 2001.

O ministro de Relações Exteriores do Paquistão, Shah Mehmood Qureshi, não respondeu ao pedido específico sobre a lista, mas disse que seu país está oferecendo "um mecanismo de investigação conjunta".

"Nós estamos prontos para, conjuntamente, ir ao fundo desta questão e estamos preparados para formar uma equipe que poderá ajudá-los", disse Qureshi nesta terça-feira.

O ministro paquistanês disse ainda que este não é o momento para troca de acusações entre os dois países.

Militantes

Segundo o correspondente da BBC em Nova Déli David Loyn a resposta do governo paquistanês não deverá satisfazer a Índia, que quer uma resposta mais dura contra os militantes baseados no Paquistão.

Um dos militantes sobreviveu aos ataques e está sob custódia da polícia da Índia. Segundo a imprensa indiana, o militante seria Azam Amir Qasab, um paquistanês ligado ao grupo militante da Caxemira Lashkar-e-Toiba (Exército dos Puros), baseado no Paquistão. O Lashkar-e-Toiba negou envolvimento nos ataques.

O novo ministro do Interior da Índia, Palaniappan Chidambaram prometeu "responder com determinação e resolver" a crise.

O ministro do Exterior, no entanto, disse nesta terça-feira que a Índia não está considerando uma resposta militar. A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, deverá visitar a Índia nesta quarta-feira.

Segundo o correspondente da BBC em Nova Déli Sanjoy Majumder, o governo indiano deverá tentar persuadir Washington a aumentar a pressão diplomática sobre o Paquistão.

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