EUA querem recuperar tempo perdido e liderar luta contra mudança climática

Celine Aemisegger. Washington, 27 abr (EFE).- O Governo dos Estados Unidos enviou hoje uma mensagem encorajadora à comunidade internacional: está decidido a recuperar o tempo perdido e se envolver plenamente na luta contra a mudança climática, exercendo uma liderança ativa.

EFE |

Foi o que disse hoje a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, em seu discurso de abertura em reunião ministerial do Fórum das Maiores Economias sobre a Energia e o Clima, que reúne hoje e amanhã as 17 maiores economias do mundo, entre elas o Brasil, e que são responsáveis por 75% das emissões de gases tóxicos.

O encontro também conta com a presença de representantes da ONU e da União Europeia (UE), além da Dinamarca, que organiza a conferência de Copenhague, a qual será realizada em dezembro e que pretende discutir um novo protocolo para substituir o de Kioto.

A reunião de hoje e amanhã em Washington serve para preparar um encontro de líderes que acontecerá em julho na Itália no marco do Grupo dos Oito (G8, sete países mais desenvolvidos do mundo e a Rússia).

A iniciativa impulsionada pelo presidente americano, Barack Obama, é similar à do anterior ocupante do cargo, George W. Bush, e conta com os mesmos participantes.

Entretanto, desta vez a postura é completamente diferente à da Administração Bush, que se negou a ratificar o Protocolo de Kioto e inclusive pôs em dúvida a existência da mudança climática.

Ativistas e ecologistas esperam agora, portanto, grandes mudanças e expressaram essa expectativa a sua maneira.

Sete ativistas do Greenpeace, pendurados em um guindaste, desdobraram diante do Departamento de Estado americano um cartaz de 55 metros quadrados, na qual lembravam que esta reunião era "importante demais para fracassar".

Dentro da sala de conferências, Hillary assinalou que a mudança climática "é um perigo claro e atual" para o mundo e "que requer atenção imediata".

"Não duvidamos da urgência ou da magnitude do problema", acrescentou.

A secretária de Estado disse que os EUA decidiram atuar rapidamente para frear a mudança climática e se envolver plenamente nas políticas e deliberações sobre o que considera uma "ameaça" global que tem impacto regional, nacional e local.

"Os EUA estão plenamente envolvidos, preparados para liderar e decididos a recuperar o tempo perdido, tanto em casa, quanto no exterior", assegurou Hillary.

A responsável pela diplomacia americana insistiu no "compromisso" adquirido pelo Governo dos EUA em lutar contra a mudança climática e garantiu que não baseará sua política em discursos, mas em ações.

Os EUA querem que o fórum sirva para definir um consenso que garanta o sucesso da conferência em Copenhague e para propor novas iniciativas e tecnologias acompanhadas de um "plano de ação".

O caminho rumo à solução ou à contenção dos efeitos da mudança climática não será fácil, alertou Hillary.

A secretária de Estado falou sobre a recente decisão de declarar o dióxido de carbono (CO2) e outros cinco gases como "poluentes e prejudiciais para a saúde" e também sobre os US$ 80 bilhões incluídos no plano de recuperação econômica destinados a financiar o desenvolvimento de energia renovável.

Além disso, Barack Obama propôs implantar limites obrigatórios em nível nacional com base num objetivo para 2050, quando se prevê uma redução de 80% das emissões tóxicas.

Os EUA pretendem reduzir em 14% suas emissões de gases do efeito estufa até 2020 partindo dos níveis de 2005.

O Congresso americano também debate uma legislação que prevê a diminuição de 20% nas emissões até 2020, de 42% até 2030 e de 80% até 2050.

O Governo anterior não aceitou cortes obrigatórios e usou como argumento as emissões da China e da Índia.

Sobre esses dois países, Hillary defendeu apoiar o desenvolvimento de ambos, mas sem "repetir os erros do passado", e ressaltou que a crise econômica não deve servir de desculpa para não atuar, mas como uma "oportunidade" para o mundo inteiro. EFE cae/bba

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