EUA querem incluir plano árabe no processo de paz palestino

Por Mohammed Assadi RAMALLAH, Cisjordânia (Reuters) - O enviado do governo norte-americano para o Oriente Médio, George Mitchell, disse na sexta-feira que uma iniciativa de paz árabe para a região deveria ser parte do processo com o qual os EUA esperam chegar à criação do Estado palestino.

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Em três incidentes na sexta-feira na Cisjordânia, israelenses mataram três palestinos, maior número de vítimas fatais no território ocupado em mais de um ano.

A iniciativa árabe de 2002 oferece a Israel a normalização das relações com todos os governos árabes, em troca da completa retirada dos territórios ocupados em 1967, da criação de um Estado palestino e de uma "solução justa" para a questão dos refugiados palestinos.

"Os EUA estão comprometidos com o estabelecimento de um Estado palestino soberano e independente, onde as aspirações do povo palestino de controlar seu destino sejam realizadas. Queremos que a iniciativa árabe de paz seja parte do esforço para alcançar esse objetivo", disse Mitchell depois de uma reunião com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, em Ramallah, na Cisjordânia.

Mitchell não entrou em detalhes sobre qual seria a participação da iniciativa árabe nos esforços norte-americanos para mediar uma solução que contemple a existência de dois Estados - um israelense e outro palestino.

Vários líderes dos EUA, inclusive o presidente Barack Obama, já fizeram referências ao plano de paz árabe, mas sem dar aval à exigência de que Israel abandone os territórios capturados em 1967 - a Cisjordânia (inclusive Jerusalém Oriental), as colinas do Golã (que pertenciam à Síria) e a Faixa de Gaza (que está desocupada, mas sob cerco).

O governo de George W. Bush tentou sem sucesso usar a iniciativa árabe para atrair a Arábia Saudita e outros governos conservadores do golfo Pérsico para que mantivessem contatos com Israel, mesmo antes que os israelenses se comprometessem com uma retirada total.

Mas as declarações de Mitchell são um novo lembrete ao primeiro-ministro direitista de Israel, Benjamin Netanyahu, de que Washington deseja progressos na região.

Netanyahu, que recebeu Mitchell na quinta-feira, ainda não se comprometeu com a retomada de discussões com os palestinos a respeito das questões centrais - fronteiras, o status de Jerusalém e o futuro dos refugiados. Ele diz que sua ênfase será em questões econômicas que beneficiem os palestinos.

Fontes oficiais israelenses disseram que Netanyahu declarou a Mitchell que sua intenção é que antes de mais nada os palestinos reconheçam Israel como sendo um Estado judeu. Os palestinos rejeitam tal reconhecimento explícito, já que cerca de 20 por cento da população israelense é árabe.

"Está claro que há um governo em Israel que rejeita os acordos firmados, que insiste em continuar as atividades nos assentamentos (judaicos na Cisjordânia)", disse o negociador palestino Saeb Erekat.

(Reportagem adicional de Adam Entous, Dan Williams e Ori Lewis em Jerusalém e Nidal al-Mughrabi em Gaza)

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