EUA querem explicações de Israel sobre novas construções em Jerusalém

O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou nesta quarta-feira que o governo dos Estados Unidos quer explicações de Israel sobre o novo anúncio de construções em Jerusalém. Segundo Gibbs, o encontro entre o presidente americano, Barack Obama, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não encerrou o desacordo entre os países sobre a expansão dos assentamentos judeus.

iG São Paulo |


Netanyahu foi recebido por Obama na Casa Branca na noite de terça-feira . O encontro a portas fechadas durou cerca de três horas e terminou sem que os líderes fizessem um pronunciamento conjunto.

Gibbs definiu a conversa como "honesta" e pediu que Netanyahu atue para dar credibilidade ao diálogo no Oriente Médio.

"O presidente pediu ao primeiro-ministro algumas medidas para criar mais confiança nas negociações que estão próximas e que, para ele, podem trazer progresso", afirmou Gibbs, reforçando que os Estados Unidos têm um "laço inquebrável" com Israel.

Novas construções

Nesta quarta-feira, Israel confirmou novos planos para ampliar ainda mais a presença judaica em Jerusalém Oriental.  Elisha Peleg, integrante do conselho municipal de Jerusalém e da comissão de planejamento da cidade, disse que 20 unidades foram aprovadas para o bairro de Sheikh Jarrah , do qual palestinos foram expulsos no ano passado, em Jerusalém Oriental.

AP
Jerusalém

Novas 20 unidades serão construídas no Hotel Shepherd

Falando à Rádio do Exército, Peleg disse que o plano está sendo preparado há meses e a medida era somente um "passo técnico" para a aprovação de 100 casas. "Vamos continuar construindo em toda Jerusalém, em Sheikh Jarrah e Ras al-Amud também", disse ele, citando outro bairro palestino na região de Jerusalém.

Há duas semanas, Israel já havia anunciado  novas construções nos arredores de Jerusalém Oriental . Na época, Netanyahu lamentou que o anúncio tenha coincidido com uma visita a Israel do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, o que a secretária de Estado dos EUA, chegou a caracterizar como "um insulto".

Mas na segunda-feira o premiê de Israel insistiu, diante de uma plateia de influentes judeus americanos, que "Jerusalém é a nossa capital" e Israel vai continuar construindo onde achar que deve na cidade.

A declaração desafiadora coincide com uma repreensão pública da Grã-Bretanha a Israel. Londres decidiu expulsar um diplomata israelense envolvido na falsificação dos passaportes usados por suspeitos de matarem um dirigente do Hamas em Dubai. Israel lamentou a decisão britânica, mas analistas previram que não haverá um abalo significativo nas relações bilaterais.

Pressão internacional

A Arábia Saudita, que em geral evita esse tipo de queixa pública, pediu nesta quarta-feira às grandes potências envolvidas no processo de paz do Oriente Médio que busquem "esclarecimentos sobre a política arrogante de Israel e sua insistência em desafiar o desejo internacional".

A imprensa israelense disse que Netanyahu foi surpreendido pela notícia do novo projeto para construir apartamentos no bairro de Sheikh Jarrah, local de manifestações contra os colonos desde a expulsão dos moradores palestinos.

Os palestinos querem que Jerusalém Oriental seja a capital de um futuro Estado palestino, mas Israel, que anexou Jerusalém Oriental após capturá-la juntamente com a Cisjordânia em 1967, considera toda a cidade de Jerusalém como sua capital.

O negociador palestino Saeb Erekat disse que o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, insistirá para que Israel revogue os planos para construir em Sheikh Jarrah, assim como a decisão para construir 1.600 casas numa outra região próxima à cidade .

"Quando falamos paz ou assentamento, parece que ele prefere os assentamentos", disse Erekat sobre Netanyahu.

Com BBC

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