EUA querem Cuba como escravo, diz Fidel

HAVANA - O ex-presidente cubano Fidel Castro ironizou nesta quinta-feira as medidas dos Estados Unidos para melhorar as relações com Havana, dizendo que Washington espera que Cuba se comporte como um escravo, disposta a aceitar novamente a chibata e o jugo.

Reuters |

Fidel, de 82 anos, disse, em artigo publicado na internet, que "o adversário não deveria nunca ficar sob a ilusão de que Cuba irá se render".

O presidente dos EUA, Barack Obama, diz que deseja reformular as relações cubano-americanas, hostis nos últimos 50 anos, mas insiste que manterá o embargo econômico em vigor desde 1962, para pressionar pela democratização da ilha comunista.

Obama recentemente eliminou restrições a viagens e remessas financeiras de cubano-americanos para a ilha, e autorizou empresas de telecomunicações dos EUA a operarem em Cuba. Sinalizou ainda que novas concessões dependerão da libertação de presos políticos e da melhoria dos direitos humanos.

Mas Fidel e seu irmão caçula, o presidente Raúl Castro, dizem que não aceitarão nenhuma condição que viole a soberania do país. "A colisão entre a grande potência do Norte e a Revolução Cubana é inevitável. A heroica resistência do povo do nosso pequeno país foi subestimada", escreveu Fidel.

Raúl e Fidel manifestam disposição de conversar com os EUA "em pé de igualdade", e um diálogo informal, de baixo escalão, já começou a ocorrer em Washington.

Publicamente, porém, os dois dirigentes dizem que Cuba não tem de fazer concessões para manter o processo diplomático. Na coluna de quinta-feira, Fidel disse que Cuba está estudando cautelosamente as intenções de Obama.

"Não somos incendiários como alguns imaginam, mas tampouco somos idiotas facilmente enganados pelos que acreditam que as únicas coisas importantes no mundo são as leis de mercado e o sistema capitalista de produção", afirmou. "Ainda existem os que têm a ilusão de que o povo pode ser manipulado como títeres."

Fidel não citou o fato, mas na quinta-feira o Departamento de Estado norte-americano divulgou um relatório no qual Cuba permanece na lista de países considerados "patrocinadores do terrorismo". Havia especulações de que Cuba seria retirada da lista como parte dos esforços conciliatórios do governo Obama.


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