TEGUCIGALPA (Reuters) - Os Estados Unidos sugeriram na terça-feira a Honduras que monte um governo de unidade e uma comissão da verdade para investigar o golpe de junho no país, sugerindo que a retomada da ajuda financeira norte-americana pode depender dessas condições. Washington reconheceu o resultado da eleição presidencial de novembro em Honduras, ao contrário da posição assumida por Brasil e outros governos regionais. Washington tem dito, no entanto, que a votação por si só não basta para resolver a crise, a pior das últimas décadas na América Central.

"Temos algumas decisões a tomar, em termos da natureza da nossa relação, da natureza da assistência no futuro", disse P.J. Crowley, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

O diplomata norte-americano Craig Kelly visita Honduras nesta semana para tentar convencer o presidente eleito Porfirio Lobo e o presidente deposto Manuel Zelaya a buscarem um acordo.

A economia de Honduras, que já sofria com a redução da demanda por exportações, em consequência da recessão global, foi ainda mais atingida depois que os EUA e outros governos cortaram a ajuda financeira, em retaliação pelo golpe, e empresas cancelaram investimentos devido à instabilidade política.

Lobo, que toma posse no dia 27, pediu aos líderes mundiais que retomem a ajuda, mas governos europeus e latino-americanos ainda relutam em aceitar um novo governo resultante de uma eleição organizada pelo governo de facto, que assumiu após o golpe.

Logo após ser eleito, Lobo disse que Zelaya "é passado". O presidente deposto está há meses refugiado na embaixada brasileira, ao lado da esposa e de alguns seguidores.

O Exército depôs Zelaya em 28 de junho, com apoio do Congresso e da Suprema Corte, por causa das manobras dele para alterar a Constituição e disputar um novo mandato.

Antes da eleição de novembro, Zelaya e o governo de facto chegaram a assinar um acordo que levaria à formação do governo de unidade e da comissão da verdade. O presidente deposto, no entanto, recuou do pacto, alegando que seus rivais não o haviam aceitado de boa fé.

(Reportagem de Arshad Mohammed em Washington e Gustavo Palencia em Tegucigalpa)

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