EUA querem acelerar processo de paz no Oriente Médio, diz Hillary

RAMALLAH - A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, declarou nesta quarta-feira que os Estados Unidos querem avançar rapidamente em direção à paz no Oriente Médio, e anunciou a volta do enviado americano à região após a formação de um governo em Israel.

Redação com agências internacionais |


"Os EUA têm como objetivo incentivar as condições que permitam a criação de um Estado palestino", declarou a chanceler. "Estamos determinados a avançar. O tempo corre", declarou Hillary à imprensa em Ramallah,após se reunir com o presidente palestino Mahmud Abbas e o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad.

Na terça-feira, em um encontro com lideranças israelenses, ela reafirmou o apoio dos EUA à segurança de Israel e afirmou ser inevitável a criação de dois Estados, um palestino e um israelense, para solucionar o conflito no Oriente Médio.

O chefe do partido de direita Likud Benjamin Netanyahu, hostil à criação de um Estado palestino com uma plena soberania, foi encarregado de formar o próximo gabinete até, no máximo, 3 de abril, prazo legal para obter a investidura no Parlamento. Por isso, o enviado especial americano para o Oriente Médio, George Mitchell, voltará à região após a formação de um novo governo. "Assim que o governo for constituído, o senador Mitchell voltará para retomar as discussões", disse.

Divergência entre líderes

AP

Hillary Clinton é recebida pelo presidente palestino Abbas em Ramallah


Na coletiva com Hillary Clinton, Abbas pediu que o Irã pare com suas ingerências em relação a assuntos internos dos palestinos. O Irã é um aliado do movimento palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza e é rival do Fatah, liderado pelo presidente da Autoridade Palestina.

Em seu discurso inaugural, nesta quarta, o aiatolá iraniano Ali Khamenei pediu ao mundo muçulmano que se some à resistência palestina contra Israel. "A única forma de salvar a Palestina é a resistência", declarou Khamenei, depois de chamar Israel de "tumor cancerígeno". "Não vamos salvar a Palestina mendigando nas Nações Unidas", acrescentou.

O presidente iraniano, o ultraconservador Mahmud Ahmadinejad, também reiterou o pedido de formar uma "frente global antissionista e castigar seriamente os criminosos sionistas".

Abbas acusou o Irã de "intervir somente para aprofundar a divisão entre os palestinos". "Enviamos uma mensagem ao Irã: pare de se intrometer em nossos assuntos", afirmou. 

O presidente da Autoridade Palestina pediu que o próximo governo israelense pare com a colonização judaica na Cisjordânia e abra os pontos de passagem com a Faixa de Gaza, submetida a um bloqueio israelense desde que o Hamas assumiu o controle, em junho de 2007.

"Respeitamos a escolha do povo israelense e respeitamos as eleições, mas pedimos ao próximo governo que respeite o mapa do caminho e a visão de dois Estados", disse. "Israel deve parar a colonização."

Críticas

O Hamas, que controla Gaza criticou a visita de Hillary. "As declarações de Clinton mostram que não há qualquer mudança na política externa americana, especialmente no tema palestino", afirmou um porta-voz dos islamitas, Fawzi Barhum.

Em relação ao Hamas, Hillary assinalou nesta quarta que Washington se negará a trabalhar com um governo palestino de união que inclua o Hamas se este não reconhecer Israel e renunciar à violência.

Ela reiterou que o Hamas é um grupo terrorista e considerou que está cada vez mais ligado ao Irã.

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