EUA qualificam de "estranha" decisão de Pyongyang de romper laços com Seul

Em escalada de tensão, Coreia do Norte corta comunicações com Coreia do Sul

iG São Paulo |

O governo dos Estados Unidos qualificou de "estranha" a decisão da Coreia do Norte de romper suas relações com a Coreia do Sul, anunciada nesta terça-feira. Para os americanos, a decisão é contrária a seus próprios interesses e prejudica a população.

"Acho estranho. A Coreia do Sul é uma das economias mais dinâmicas do mundo. A Coreia do Norte é uma economia fracassada, o que é reconhecido inclusive por eles mesmos. É um país incapaz de cuidar de seus cidadãos, incapaz de alimentá-los", disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, Philip Crowley, em entrevista coletiva. "Não posso imaginar uma decisão que, em longo prazo, interesse menos aos cidadãos norte-coreanos que cortar ainda mais seus laços com a Coreia do Sul".

A Coreia do Norte anunciou o rompimento de todas as suas relações com a Coreia do Sul e o corte das comunicações entre os dois países, em meio à crescente escalada de tensão na Península Coreana após o naufrágio de um navio de guerra sul-coreano pela Coreia do Norte, informou a agência sul-coreana "Yonhap".

AP
Sul-coreanos protestam contra ameaças de líder da Coreia do Norte, Kim Jong-il

Os norte-coreanos anunciaram também que expulsarão todos os sul-coreanos que trabalham no complexo industrial de Kaesong, localizado ao norte da linha que separa os dois países, ainda que seja financiado por Seul, acrescentou a mesma fonte.

Todos os barcos e os aviões sul-coreanos terão acesso proibido às águas territoriais e ao espaço aéreo norte-coreano, explicou a agência.

Em comunicado do norte-coreano Comitê para a Reunificação Pacífica da Coreia, o regime comunista afirmou que não haverá mais diálogo entre as Coreias durante o mandato de Lee Myung-bak como presidente da Coreia do Sul, segundo "Yonhap".

Ameaças de reação militar

O anúncio foi feito horas depois de o governo comunista norte-coreano ter ameaçado lançar uma ação militar caso a Coreia do Sul viole suas águas territoriais no litoral oeste. "Se as intrusões do lado do Sul em nossas águas territoriais continuarem, a RDPC (República Democrática Popular da Coreia, nome oficial da Coreia do Norte) colocará em vigência medidas militares práticas para defender suas águas, como já esclareceu, e o lado do Sul será totalmente responsabilizado por todas as consequências", disse a agência de notícias norte-coreana KCNA, citando autoridades de primeiro escalão.

A furiosa guerra de palavras - o Norte se refere ao governo do Sul como "gângsteres militares, tomados pela febre da guerra" - surge depois de um relatório de investigadores internacionais divulgado na semana passada acusar a Coreia do Norte de torpedear a corveta sul-coreana Cheonan, em março, matando 46 marinheiros.

Comércio suspenso

Na segunda-feira o presidente sul-coreano Lee Myung-bak reduziu o comércio com seu empobrecido vizinho do norte e impediu que navios comerciais norte-coreanos viajem por suas águas. Ele também disse que pretende levar o caso para o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

Em um discurso transmitido pela televisão, o presidente sul-coreano afirmou que seu país estava se esquecendo de que "divide a fronteira com um dos países mais propensos à guerra do mundo". "Exorto as autoridades da Coreia do Norte a fazer o seguinte: pedir desculpas à Coreia do Sul e à comunidade internacional. Punir imediatamente os responsáveis e os envolvidos no incidente."

Muitos analistas duvidam que os dois países se arriscariam a ir a uma guerra, o que seria suicídio para o Norte e economicamente catastrófico para o Sul.

EUA aumentam pressão

Na segunda-feira, os EUA aumentaram a pressão sobre o regime de Pyongyang com o anúncio de que o Pentágono realizará exercícios navais conjuntos com a Coreia do Sul. O porta-voz do Departamento de Defesa dos EUA, Bryan Whitman, disse que as manobras serão feitas "em um futuro próximo" e terão o objetivo de melhorar a capacidade dos dois países de detectar a presença de submarinos inimigos e bloquear a passagem de embarcações com carga nuclear.

O governo do presidente americano, Barack Obama, "deu ordens a seus comandantes para que se coordenem estreitamente com seus pares sul-coreanos, para garantir que estejam preparados e impeçam futuras agressões", segundo um comunicado emitido nesta madrugada, no qual a Casa Branca expressa seu "inequívoco" apoio militar à defesa da Coreia do Sul.

'Fabricação'

As medidas foram anunciadas menos de uma semana depois que especialistas dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Austrália e Suécia concluíram, em um relatório, que o navio militar sul-coreano foi afundado depois de ser atingido por um torpedo da Coreia do Norte.

De acordo com o relatório, partes do torpedo recuperadas do fundo do mar mostram um tipo de letra encontrado em outros torpedos norte-coreanos. A Coreia do Norte nega qualquer envolvimento no incidente, afirmando que os resultados da investigação são uma "fabricação", e ameaçando com guerra, caso sejam impostas novas sanções.

Com AFP, EFE, New York Times e BBC

    Leia tudo sobre: coreia do nortecoreia do suleua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG