EUA punem Bolívia por falta de cooperação no combate às drogas

Washington, 26 set (EFE) - Os Estados Unidos iniciaram hoje o processo para suspender os benefícios tarifários à Bolívia por sua suposta falta de cooperação contra o tráfico de drogas, uma medida que, previsivelmente, agravará a tensão bilateral. Esse programa, conhecido como Lei de Preferências Tarifárias Andinas e Erradicação de Drogas (ATPDEA, em inglês), permite a entrada de grande parte dos produtos bolivianos no maior mercado do mundo sem o pagamento de impostos alfandegários. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou a medida em uma declaração enviada à representante de Comércio Exterior americana, Susan Schwab.

EFE |

"As ações recentes da Administração de (Evo) Morales em relação à cooperação no combate contra os narcóticos não são as de um aliado, e não cumprem as normas deste programa", disse Schwab em comunicado.

Segundo o Governo Morales, mais de 100 mil empregos bolivianos dependem dessas preferências tarifárias, das quais também desfrutam Peru, Colômbia e Equador.

O fim do programa e a alta das taxas alfandegárias não será imediato.

Após a publicação de um aviso no diário oficial dos Estados Unidos, será aberto um período de comentários públicos de 30 dias e, posteriormente, haverá uma audiência pública, cuja data ainda não foi determinada, informou à Agência Efe Gretchen Hamel, uma porta-voz do escritório de Schwab.

Só então o presidente poderá suspender o programa, para o que não requer a autorização do Congresso, segundo Hamel.

Por ser um benefício unilateral concedido pelos Estados Unidos aos países andinos, o Governo americano pode interrompê-lo quando quiser.

A medida chega em um dos momentos de maior tensão entre os dois países em sua história. Em 10 de setembro, Morales expulsou o embaixador dos Estados Unidos na Bolívia, Philip Goldberg, acusando-o de encorajar a oposição contra seu Governo.

Os Estados Unidos responderam com a ordem de saída do representante da Bolívia perante a Casa Branca, Gustavo Guzmán.

Para Michael Shifter, vice-presidente do Diálogo Interamericano, um centro de estudos em Washington, "este tipo de castigo vai agravar a relação" bilateral.

Em sua opinião, "a medida foi talvez precipitada demais, tinham que ter deixado as coisas se acalmarem".

A ATPDEA expira em dezembro e, apesar do confronto entre ambas as nações, o Governo Morales tinha solicitado sua renovação ao Congresso dos Estados Unidos.

No entanto, sua extensão para a Bolívia já estava em questão, pela ausência de embaixador americano em La Paz e devido à piora geral das relações.

Em seu comunicado, Schwab citou vários fatores, como a expulsão por parte do Governo Morales das principais áreas de produção de coca do país de representantes da Agência de Desenvolvimento Internacional dos EUA (Usaid, em inglês) e da Direção de Controle de Drogas (DEA).

Além disso, apontou a alta "notável" da produção de cocaína, o "fracasso" do Governo na hora de acabar com o mercado ilícito de coca e sua política em favor de aumentar os cultivos legais dessa planta.

Há dez dias, Bush apontou oficialmente a Bolívia como um dos países que haviam "falhado manifestamente" na luta contra o tráfico de drogas no último ano, mas não impôs sanções porque, segundo ele, prejudicaria os interesses dos Estados Unidos.

A suspensão eventual dos benefícios representará um golpe para os exportadores bolivianos. Em 2007, a Bolívia vendeu nos EUA bens no valor de US$ 362 milhões e importou bens por US$ 278 milhões, segundo dados de Washington.

As principais exportações da Bolívia aos Estados Unidos no ano passado foram jóias, petróleo e estanho. EFE cma/db

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