EUA propõem prorrogação do congelamento das colônias judaicas

Acordo de extensão por três meses da moratória à construção de assentamentos na Cisjordânia teria sido aceito por parte palestina

iG São Paulo |

Ao dar continuidade às conversas de paz entre palestinos e israelenses, os Estados Unidos propuseram prorrogar por três meses a moratória parcial à construção de colônias judaicas na Cisjordânia, que se esgota no fim deste mês.

Segundo o jornal israelense Haaretz, pelo proposto, as partes empregariam esse trimestre em definir as fronteiras do futuro Estado palestino e, transcorrido o prazo, Israel poderia reiniciar a construção das colônias situadas no território que ficasse sob seu controle.

AFP
Reunião entre Hillary Clinton e o líder palestino Mahmoud Abbas segue retomada de negociações que teve início no dia 2 de setembro
Em Ramallah, na Cisjordânia, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, reiterou o compromisso de seu país com a criação de um Estado palestino "independente, soberano e viável que cumpra as aspirações do povo palestino".

Apesar de o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, ter dito diversas vezes que a parte palestina se nega a continuar o diálogo com Israel se a construção for retomada, antes da reunião com Hillary, ele teria dito a jornalistas que aceitou o convite americano porque "não há outra alternativa para a paz".

Já o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que costuma afirmar que a moratória é "improrrogável", ainda não teria dado uma posição oficial sobre a proposta. Indagado sobre a ideia de prolongar o congelamento por três meses, o gabinete de Netanyahu indicou que "não fará comentários sobre o conteúdo das negociações".

Contra o argumento de Abbas, que ameaça abandonar a mesa de negociação se as construções na Cisjordânia forem retomadas, Netanyahu insiste que não pode estender a moratória por motivos políticos, já que poria em perigo a sobrevivência de sua coalizão de governo, formada majoritariamente por partidos de extrema-direita.

O encontro desta quinta-feira seguiu a maratona de reuniões tripartidas e bilaterais mantidas nos dois últimos dias na localidade egípcia de Sharm el-Sheikh e em Jerusalém para avançar nas negociações, iniciadas em 2 de setembro em Washington .

Divergências

Apesar do otimismo dos EUA em relação aos avanços nas negociações, uma fonte do corpo diplomático palestino, sob anonimato, disse que as negociações entre Abbas e Netanyahu revelaram "profundas divergências", apesar dos esforços dos Estados Unidos.

"O encontro Abbas-Netanyahu mostrou profundas divergências, que não puderam ser superadas apesar das tentativas da secretária de Estado, Hillary Clinton, e do enviado americano George Mitchell", afirmou, referindo-se à reunião dos dois líderes na quarta-feira em Jerusalém. As discussões "foram difíceis e não permitiram progresso".

*Com EFE

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