EUA propõem novo diálogo migratório com Cuba

WASHINGTON - O Departamento de Estado norte-americano disse na sexta-feira que ofereceu a retomada das negociações com Cuba a respeito da migração de cubanos para os EUA, num novo sinal de que o governo de Barack Obama está disposto a se envolver com o regime comunista da ilha.

Reuters |

As negociações, suspensas por Washington desde 2004, abrangem um tratado de meados da década de 1990 que visava a evitar um êxodo de refugiados cubanos para os EUA, como ocorreu em 1980 e 1994.

"Nós nos oferecemos para retomar o diálogo", disse a porta-voz do Departamento de Estado Heide Bronke. Ela esclareceu que a oferta foi feita em uma reunião com diplomatas cubanos em Washington na tarde de sexta-feira, e disse desconhecer a reação cubana.

Em abril, o governo Obama já havia eliminado restrições ao envio de divisas e a viagens de cubano-americanos para a ilha, e autorizado empresas norte-americanas de telecomunicações a operarem no país.

Embora por enquanto mantenha o embargo em vigor há quase 50 anos, Obama vem demonstrando uma disposição em se aproximar de Cuba, como também de outros rivais dos EUA, como Irã e Síria.

"Acho que (a discussão migratória) é um dos lugares mais lógicos para que EUA e Cuba comecem uma nova relação", disse Lilia López, analista do instituto Washington Office on Latin America.

"É um passo inicial muito positivo. É consistente com o tom que temos visto do governo Obama até agora, bem como de Cuba sob (o presidente) Raúl Castro. Já vimos disposição de envolvimento dos dois lados."

López disse que é do interesse dos EUA evitar um novo êxodo de refugiados, como no célebre "Resgate de Mariel", em 1980.

O acordo migratório de 1995 estabelecia que cubanos interceptados no mar seriam devolvidos a Cuba, e que Havana se comprometeria em combater a emigração clandestina. Os EUA, por sua vez, prometiam conceder pelo menos 20 mil vistos de residência por ano a cubanos.

O governo de George W. Bush suspendeu as negociações em janeiro de 2004 alegando que Cuba se recusava a discutir questões essenciais, como a concessão de autorizações de saída para todos os cubanos que conseguissem visto para os EUA.

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