EUA pressionam para aproximar israelenses e palestinos

Daniela Brik. Jerusalém, 16 set (EFE).- O enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, George Mitchell, parece determinado a colocar israelenses e palestinos na mesa de negociações, e para isso encara uma maratona de reuniões com as duas partes esta semana na região.

EFE |

O enviado americano se reuniu hoje em Jerusalém pelo segundo dia consecutivo com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, para tentar conseguir um compromisso para suspender a construção nas colônias na Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

A Autoridade Nacional Palestina (ANP), liderada pelo moderado Mahmoud Abbas, exige a total paralisação da edificação nos assentamentos antes de retomar qualquer diálogo com Israel.

Depois de participar de reuniões com o dirigente israelense sem aparentemente conseguir os resultados desejados, Mitchell voltará a se encontrar com Netanyahu na próxima sexta-feira, segundo fontes oficiais israelenses.

O porta-voz do Escritório do primeiro-ministro de Israel, Mark Regev, se limitou a qualificar de "boa" a reunião, realizada nesta manhã, mas não precisou se foi registrado algum progresso, assim como também não comentou o conteúdo das conversas.

Antes de voltar a se encontrar com Netanyahu, Mitchell fez hoje uma breve visita ao Líbano, e se deslocará amanhã a outros países árabes da região em uma tentativa de convencer seus líderes a acenar para a normalização de suas relações com Israel, em troca de o Governo israelense dar passos em favor da paz.

A principal diferença que ainda separa EUA e Israel, segundo o diário "Ha'aretz", está em torno do alcance do congelamento da atividade nos assentamentos.

Segundo o jornal, os americanos exigem que Israel se comprometa a interromper a construção nas colônias judias por um período de um ano, enquanto Netanyahu só estaria disposto a comprometer-se a seis meses.

Até o momento, se desconhece se os trabalhos do enviado americano conseguiram aproximar as duas partes para que aceitem participar de uma reunião tripartida entre Netanyahu, Abbas, e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante o início do período de sessões da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, na próxima semana.

Pouco depois do anúncio do novo encontro entre Mitchell e Netanyahu, a ANP indicou que o enviado americano se reuniria à tarde (local) em Ramala com Abbas, após um encontro similar na terça-feira.

No entanto, fontes da sede presidencial palestina em Ramala disseram à Agência Efe que esta reunião foi adiada para sexta-feira, com a justificativa de coincidir com o 27º dia do mês do Ramadã, quando o profeta Maomé recebeu o Corão.

Fontes da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) consultadas pela Efe não souberam precisar nenhum detalhe da reunião, e indicaram que após o último encontro entre o presidente palestino e o enviado americano "a situação ficou muito tensa, porque os EUA querem que aceitemos menos do que o plano de paz diz".

Após sua primeira reunião na terça-feira, nem Mitchell nem Abbas fizeram declarações precisas sobre o conteúdo do encontro.

O único a falar da reunião foi Saeb Erekat, assessor do presidente palestino, que afirmou: "Nossa posição continua sendo a mesma. Não vimos passos que nos façam modificá-la. Enquanto não houver mudanças por parte de Israel, não movimentaremos peças".

As declarações dos porta-vozes oficiais das diferentes partes e a necessidade de Mitchell de prolongar sua estadia na região parecem indicar que até o momento os esforços diplomáticos americanos não deram resultado. EFE db-nm/mh

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