EUA pressionam líderes palestinos e israelenses a negociar

Por Alastair Macdonald JERUSALÉM (Reuters) - O enviado especial da Casa Branca para o Oriente Médio, George Mitchell, disse nesta segunda-feira que líderes palestinos e israelenses concordaram em retomar as negociações, embora uma nova polêmica envolvendo assentamentos judaicos torne nebuloso o curso desse diálogo.

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Washington manifestou compreender a irritação palestina com a notícia de que Israel construirá cem novas casas em um assentamento da Cisjordânia. A ampliação dos assentamentos está na raiz da relutância do presidente palestino, Mahmoud Abbas, em retomar o processo de paz.

Mas muitos israelenses não estavam interessados nas reuniões de Mitchell com Abbas e com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e sim na chegada do vice-presidente dos EUA, Joe Biden, e dos recados que ele deve trazer a respeito de como conter o programa nuclear iraniano.

Embora afirmando que deseja discussões diretas com Abbas, Netanyahu afirmou a evangélicos dos EUA, em Jerusalém, que "nenhum desafio de segurança é mais importante para o nosso futuro comum do que impedir o Irã de desenvolver armas nucleares."

Biden deve se encontrar com Netanyahu e Abbas durante a semana para mostrar um sólido apoio da Casa Branca à retomada do processo de paz, abandonado há 15 meses.

Mas o foco de uma entrevista publicada em Israel antes da sua chegada foi a promessa de que o governo dos EUA, que tem tido atritos com a coalizão de centro-direita que dirige Israel, vai manter seu apoio ao Estado judeu.

Fontes políticas israelenses também esperam que Biden deixe claro, como já fizeram outras autoridades norte-americanas, que o presidente Barack Obama não deseja que Israel nem ninguém bombardeie o Irã, enquanto o Ocidente tenta pressionar a República Islâmica com sanções. Netanyahu tem defendido sanções que paralisem o comércio iraniano de gás e petróleo.

Após a reunião com Netanyahu em Jerusalém e com Abbas em Ramallah, Mitchell se disse satisfeito com o fato de que as duas partes já aceitam negociações indiretas, sob mediação dos EUA. Entretanto, afirmou, a natureza desse diálogo ainda precisa ser determinada.

"Começamos o processo de discutir a estrutura e o escopo dessas conversações, e voltarei à região na semana que vem para continuar nossas discussões", disse ele. "Como já dissemos muitas vezes, esperamos que elas levem a negociações diretas assim que possível."

Algumas autoridades, inclusive do Departamento de Estado dos EUA e da Liga Árabe, dizem entender que as "conversações de proximidade", aprovadas pela Liga na semana passada para durarem quatro meses, já começaram. Outros funcionários afirmam que por enquanto os mediadores estão discutindo apenas o formato, e não a substância.

(Reportagem adicional de Dan Williams, Jeffrey Heller, Ori Lewis, Allyn Fisher-Ilan, Adam Entous e Ari Rabinovitch, em Jerusalém; de Arshad Mohammed, em Washington; de Nidal al-Mughrabi, em Gaza; e de Tom Perry e Ali Sawafta, em Ramallah)

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