EUA: pressão dos democratas adia para amanhã votação definitiva de pacote

María Peña. Washington, 12 fev (EFE).- A Câmara de Representantes dos Estados Unidos cedeu hoje às pressões de alguns democratas e adiou para amanhã a votação definitiva do pacote de US$ 789 bilhões para salvar a economia.

EFE |

Alguns líderes democratas de ambas as casas do Congresso tinham dito a jornalistas que o plano seria submetido à votação ao longo desta quinta-feira.

Aprovado por ambas as câmaras, o pacote será a terceira lei sancionada pelo presidente dos EUA, Barack Obama, em seus primeiros cem dias de mandato.

No entanto, vários deputados democratas expressaram seu mal-estar em relação ao plano, já que o acordo alcançado ontem por um grupo de dez negociadores do Congresso reduziu o valor total da ajuda à economia, sobretudo no campo fiscal e tributário.

O plano a ser aprovado pelo Congresso acabou tendo outra repercussão: a renúncia do senador republicano por New Hampshire, Judd Gregg, à candidatura ao Departamento de Comércio.

Gregg disse que desistiu do cargo de secretário em parte devido a diferenças "irreconciliáveis" em relação ao plano de estímulo.

A presidente da Câmara de Representantes, Nancy Pelosi, aceitou hoje o pedido democrata de rever com mais calma o projeto de lei e de adiar sua votação até amanhã.

O pacote, que é a máxima prioridade do Governo de Obama, foi elaborado para reativar a economia dos EUA, que já perderam mais de três milhões de empregos desde 2007.

Para deixar claro como considera urgente a aprovação do plano, Obama enviou ao Capitólio, para que assistissem à votação, o chefe de gabinete da Casa Branca, Rahm Emanuel, o diretor de Orçamento, Peter Orszag, e o imediato deste, Rob Nabors.

Embora fontes legislativas digam que o descontentamento dos democratas não ameaça o pacote, alguns republicanos deixaram claro que continuam se opondo ao texto.

"Estamos muito preocupados (...) com a quantidade de dinheiro para despesas fiscais (incluída no plano). Deveríamos buscar a maior eficiência possível no manuseio do dinheiro dos contribuintes", se queixou o "número dois" dos republicanos na Câmara de Representantes, Eric Cantor.

O deputado destacou que, antes de tudo, o plano de estímulo deve criar e preservar empregos, e que o Congresso deve cortar mais impostos em vez de se aventurar com mais despesas fiscais.

Quando a Câmara de Representantes aprovou sua versão do plano em 28 de janeiro, nenhum dos 177 republicanos votou a favor dele.

A versão do Senado, por sua vez, só contou com o apoio de três republicanos: Susan Collins, Olympia Snowe e Arlen Specter, todos eles da ala moderada do partido.

De fato, dos 219 republicanos no Congresso, apenas esses senadores apoiaram o pacote de Obama, mas só depois de conseguirem concessões da maioria democrata.

Já durante o processo de harmonização do texto, os legisladores de ambas as câmaras reduziram o valor total do pacote após intensas negociações.

Porém, até agora, foram divulgados poucos detalhes do teor do texto. Fontes legislativas, no entanto, asseguram que a versão final do plano é bem equilibrado no que diz respeito às prioridades econômicas do país.

O pacote, tal como foi concebido, prevê a criação ou a preservação de 3,5 milhões de empregos, ajudas para os Governos municipais e estaduais, fortes investimentos em obras de infraestrutura e programas sociais, e medidas de apoio aos desempregados, entre outros elementos.

Mais cedo, o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, disse que a câmara alta poderia votar a versão final do plano entre hoje à noite e amanhã, apesar de os republicanos terem ameaçado bloquear a votação por terem visto o texto definitivo do pacote.

De qualquer maneira, a meta dos congressistas é aprovar o plano o mais rápido possível e enviá-lo à Casa Branca no máximo até segunda-feira. EFE mp/sc

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