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EUA prepararam interrogatórios coercitivos antes de autorização

Washington, 22 abr (EFE).- O Governo dos Estados Unidos começou a preparar o uso de técnicas coercitivas em interrogatórios antes de elas serem legalmente autorizadas, durante a gestão do então presidente George W.

EFE |

Bush .

Estas técnicas, agora tipificadas como formas de tortura, começaram a ser prontas semanas após a CIA capturar seu primeiro suspeito de terrorismo considerado de alta periculosidade, conclui um relatório do Senado americano.

O documento de 263 páginas do Comitê de Serviços Armados do Legislativo que foi divulgado hoje revela novos detalhes sobre o processo que levou à autorização de métodos coercitivos em interrogatórios de suspeitos de integrar a rede terrorista Al Qaeda.

O Congresso atesta "que membros do alto escalão do Governo dos EUA solicitaram informação sobre como usar técnicas agressivas, redefiniram a lei para criar a aparência de legalidade e autorizaram sua aplicação aos presos".

O documento lembra que, em 7 de fevereiro de 2002, George W. Bush assinou um memorando anulando o Artigo 3 do Convenção de Genebra, que se refere ao tratamento de prisioneiros de guerra, em relação a detidos da Al Qaeda e do Talibã.

O Governo classificou-os como "combatentes inimigos" e indicou que não lhes correspondiam as proteções da Convenção de Genebra, dado que não eram membros de organizações militares formais.

Em dezembro de 2001, mais de um mês antes de Bush assinar este memorando, um escritório jurídico do Departamento de Defesa já havia pedido informação sobre "abuso" de presos à JPRA, agência do Pentágono que treina militares americanos para resistir a técnicas de interrogação ilegalizadas pela Convenção de Genebra.

Este treino, conhecido como "Sobrevivência, Evasão, Resistência e Escape" (Sere), simula as pressões físicas e psicológicas às quais os soldados podem ser submetidos caso sejam capturados por inimigos que não se ajustam à Convenção de Genebra.

Essa agência começou seu trabalho em 2002 e o continuou pelos dois anos seguintes.

O relatório do Congresso também revela que, enquanto o Governo preparava o processo legal para autorizar os interrogatórios "coercitivos", treinava agentes da prisão de Guantánamo sobre estas técnicas.

Segundo o documento do Senado, o próprio secretário de Defesa naquela época, Donald Rumsfeld, aprovou o emprego de técnicas agressivas contra presos em Guantánamo.

Depois, os militares americanos na prisão naval de Cuba começaram a elaborar procedimentos operacionais para aplicar as técnicas do Sere nos interrogatórios.

A autorização de Rumsfeld também chegou ao conhecimento de agentes no Afeganistão, para onde uma cópia do memorando foi enviada de Guantánamo.

Ele anulou, em janeiro de 2003, sua decisão sobre Guantánamo, mas o documento seguiu influenciando os interrogatórios, segundo o Congresso.

Por último, estas práticas passaram do Afeganistão ao Iraque e, com isso, à cadeia de Abu Ghraib, onde soldados americanos foram flagrados praticando maus-tratos contra prisioneiros. EFE cai/jp

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