EUA prendem supostos terroristas só para interrogá-los, diz ONU

Genebra, 10 mar (EFE).- O relator da ONU para a luta contra o terrorismo, Martin Scheinin, afirmou hoje que as prisões de suspeitos de terrorismo pelos Estados Unidos nunca tiveram como objetivo a obtenção de justiça, mas o levantamento de informações mediante interrogatórios.

EFE |

A afirmação está presente no relatório anual de Scheinin ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, entregue hoje junto com o do seu colega Manfred Novak, que trata das questões de tortura.

Embora cada um produza seu relatório, no ano passado os dois combinaram de tratar do papel dos serviços secretos no combate ao terrorismo.

Segundo Scheinin, "em alguns países o serviço de inteligência é um Estado dentro de outro Estado", com pouco controle externo sobre suas atividades.

Em relação à estratégia dos EUA contra o terrorismo, ele afirmou ter encontrado evidências de que as prisões de suspeitos nunca tiveram como objetivo julgá-los, mas "utilizá-los para a obtenção de informações".

A finalidade era "interrogar essas pessoas e obter novos nomes através de confissões", declarou.

Quanto às práticas de torturas em interrogatórios atribuídas à CIA (agência central de inteligência dos EUA) no Governo do ex-presidente George W. Bush, Novak disse crer que Barack Obama porá fim a elas, assim como às transferências de suspeitos a países onde as torturas são abertamente permitidas como método de obtenção de informações.

"Acredito que essa prática já esteja começando a ser interrompida", disse o relator da ONU para questões de tortura.

Novak acusou Bush de levar os presos de Guantánamo para "países conhecidos por suas práticas de tortura" caso não obtivesse os resultados desejados nos interrogatórios feitos na base militar americana em Cuba. EFE is/jp/sc

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