EUA prendem segundo jornalista iraquiano em dois dias

Por Waleed Ibrahim BAGDÁ (Reuters) - As Forças Armadas dos Estados Unidos prenderam na quinta-feira um cinegrafista iraquiano, disseram a família e o patrão dele, dois dias depois de um fotógrafo freelance que trabalha para a agência Reuters também ter sido preso por norte-americanos.

Reuters |

Os soldados dos EUA tiraram Omar Hashem, funcionário de um canal de TV de Bagdá, mais o pai e dois irmãos dele de sua casa, no distrito de Adhamiya, na cidade.

As Forças Armadas dos EUA confirmaram a detenção do jornalista, mas não mencionaram o nome de Hashem.

'Omar Hashem, dois irmãos dele e seu pai foram presos pelas forças norte-americanas. Nosso cameraman possui uma carteira de jornalista concedida pela coalizão e já havia trabalhado com eles antes. Eu não sei por que o detiveram agora', disse Riyad Arif, chefe do escritório do canal local iraquiano.

Imagens de TV da Reuters mostraram a casa de Hashem revirada depois de a família dele ter dito que soldados haviam feito uma busca no local.

'No começo da manhã, ouvi vozes mandando que eu saísse de casa. Estávamos tentando nos vestir quando eles derrubaram a porta', afirmou em lágrimas Um Omar, mãe de Hashem.

Os militares norte-americanos afirmaram ter detido um jornalista em operações realizadas na quinta-feira contra células de militantes da Al Qaeda. O líder de uma suposta célula de carro-bomba e três acusados de serem cúmplices dele incluíam-se entre as 15 pessoas presas na operação.

'Um jornalista foi detido após ser identificado como uma ameaça à segurança do Iraque e das forças da coalizão. Ele foi detido junto com outros suspeitos de integrarem uma célula de terroristas', afirmaram as Forças Armadas dos EUA em um comunicado.

A prisão de Hashem ocorre somente dois dias depois da detenção de Ibrahim Jassam Mohammed, um iraquiano que fornece, há dois anos, fotos e vídeos para a Reuters na qualidade de freelance.

Segundo os militares norte-americanos, Mohammed também seria uma 'ameaça à segurança.' A Reuters busca informações adicionais.

Grupos iraquianos e internacionais de defesa da liberdade de expressão criticaram o fato de os militares identificaram suspeitos com base em relatos sobre atividades aparentemente legítimas, no caso o trabalho de jornalismo na divulgação de informações sobre atos de violência.

'Todos os jornalistas iraquianos detidos pelos militares norte-americanos foram mais tarde libertados quando ficou claro o fato de não haver fundamento para a detenção', afirmou Ziad al-Ajli, chefe do grupo iraquiano Observatório das Liberdades dos Jornalistas.

'Com exceção dos jornalistas, ninguém mais sofre nada', acrescentou.

No mês passado, os militares norte-americanos libertaram um cinegrafista que trabalhava para a Reuters depois de tê-lo mantido sob custódia durante três semanas sem acusá-lo formalmente de nada. Um outro cinegrafista, este a serviço da agência Associated Press, ficou preso durante três meses sem ser acusado.

As Forças Armadas dos EUA afirmam que o mandato da Organização das Nações Unidas (ONU) que autoriza sua presença no Iraque permite-lhes prender qualquer um por tempo indeterminado desde que essa pessoa seja considerada uma ameaça. O mandato deixa de vigorar no dia 31 de dezembro.

Os militares norte-americanos mantêm sob custódia, atualmente, 21 mil iraquianos que, até agora, não foram acusados formalmente de crime nenhum.

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