EUA podem precisar de aumento maior nas tropas no Afeganistão

Por David Morgan WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos podem precisar de um incremento no número de tropas no Afeganistão maior do que o que está sendo considerado pelo presidente norte-americano, Barack Obama, disseram especialistas na quinta-feira.

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A análise, feita em audiência na câmara dos deputados dos EUA, aponta que uma força norte-americana maior pode ser necessária para virar o jogo contra o Talebã, enquanto os relutantes aliados da Otan e o nascente Exército afegão não colocam mais tropas em combate.

"Temos de dar a maior parte das tropas adicionais, conselheiros e recursos para reverter a situação", disse Anthony Cordesman, do Center for Strategic and International Studies, em depoimento escrito ao Comitê de Serviços Armados da câmara.

"Pode ser que a proposta atual de mais 30 mil tropas norte-americanas seja o mínimo que precisaremos", disse.

Obama, que fez do Afeganistão a principal prioridade militar dos Estados Unidos, deve decidir em breve quantas tropas adicionais enviará à zona de combate, onde os comandantes enfrentam uma insurgência crescente do Talebã e de outros grupos militantes.

O Pentágono propôs aumentar o número de tropas em 37 mil, para 60 mil nos próximos meses, na tentativa de aumentar a segurança e facilitar o desenvolvimento de longo prazo.

Também estão no Afeganistão cerca de 30 mil tropas de outros países da Otan.

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, disse que uma presença militar maior pode fazer com que os afegãos passem a enxergar as tropas ocidentais como uma força de ocupação. Mas ele disse a jornalistas na terça-feira que não há um teto para o número de militares que podem ser enviados ao país.

Stephen Biddle, do Council on Foreign Relations, também afirmou que um número maior de soldados pode ser necessário e alertou que a estratégia norte-americana de combate à insurgência pode significar uma alto número de baixas em seu início.

"Mesmo quando (o combate à insurgência) funciona, ele parece ruim no começo. E isso vai promover um debate crescente sobre a sabedoria do comprometimento dos EUA", disse Biddle em seu depoimento escrito.

"Seria prudente assumir que taxas de fatalidade de talvez 50 a 100 por mês podem persistir por vários meses, talvez até anos", disse.

O número de militares norte-americanos mortos no Afeganistão desde a invasão liderada pelos EUA, em 2001, é de 576. O número de baixas chegou à máxima de 26 em setembro passado. Em janeiro foram 12 mortes.

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