EUA: 'Piscina de armazenamento está sem água em usina do Japão'

Informação de agência dos EUA foi negada por Japão; se estiver correta, não há nada para impedir a fusão das barras de combustível

iG São Paulo |

A piscina de armazenamento do reator 4 da central nuclear de Fukushima não contém mais água, e os níveis de radiação estão "extremamente elevados" no local, declarou nesta quarta-feira o presidente da Comissão de Regulação Nuclear dos EUA (Nuclear Regulatory Commission - NRC), Gregory Jaczko durante uma audiência no Congresso americano. Autoridades japonesas, porém, negam a informação.

"Acreditamos que o cilindro de confinamento secundário foi destruído, que não há mais água na piscina onde ficam as barras de combustível reciclado, e os níveis de radiação estão extremamente elevados, o que poderá comprometer as operações de segurança " realizadas no local para evitar uma catástrofe, disse.

Se Jaczko estiver correto, a falta de água significaria que não há nada para impedir as barras de combustível de esquentar e se fundir. A parte exterior das barras poderiam também inflamar com força suficiente para impulsionar o combustível nuclear de dentro para uma área mais ampla. De acordo com vários especialistas, o esvaziamento da piscina de combustível reciclado do reator 4 na central de Fukushima é um cenário catastrófico, porque poderá expelir com a evaporação uma quantidade de dejeto radioativo similar à da catástrofe de Chernobyl.

Apesar de Jaczko não ter informado nesta quarta-feira como conseguiu a informação, a NRC e o Departamento de Energia dos EUA têm especialistas no complexo de seis reatores da usina de Fukushima.

Jaczko disse que autoridades acreditam que os níveis de radiação estão extremamente altos, e isso poderia afetar a habilidade dos trabalhadores de impedir que as temperaturas aumentem ainda mais.

A agência nuclear do Japão e a Tokyo Electric Power Co. (Tepco), que opera o complexo, negaram que não exista água na piscina. O porta-voz da instalação, Hajime Motojuku, disse que a "condição está estável" no reator 4.

Jaczko disse aos parlamentares americanos que, perante uma situação semelhante, os EUA teriam estabelecido uma zona de isolamento maior do que as autoridades japonesas, que conduziram uma retirada em um raio de 20 km. Por isso, os EUA pediram a retirada nesta quarta-feira dos cidadãos americanos que vivem a menos de 80 km da central nuclear de Fukushima.

Na França, o Instituto de Radioproteção e de Segurança Nuclear (IRSN) estimou que as próximas 48 horas serão cruciais para o restabelecimento do nível de água na piscina de armazenamento de combustível reciclado do reator 4 de Fukushima, com o perigo de um vazamento "muito grande" de dejetos radioativos.

Também nesta quarta-feira, o secretário de energia dos Estados Unidos, Steven Chu, disse que a situação na usina parecia mais séria do que o derretimento do núcleo de um dos reatores da usina de Three Mile Island, no Estado americano da Pensilvânia, em 1979.

Por causa de um problema no sistema de resfriamento, o núcleo da usina americana derreteu, mas o vazamento de pequenas quantidades de radiação não foi prejudicial aos moradores da região.

O Pentágono disse que está distribuindo pastilhas de iodeto de potássio ao soldados em suas bases militares no Japão, como medida de prevenção contra os efeitos da exposição ao material radioativo na região.

Previamente ao alerta dos EUA, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU (AIEA), Yukiya Amano, confirmou que três reatores da usina nuclear de Fukushima foram danificados pelas consecutivas explosões após o terremoto que atingiu o país.

"A situação na usina de Fukushima Daiichi é muito séria. Danos nos núcleos de três unidades, os reatores número 1, número 2 e número 3, foram confirmados”, disse Amano, que visitará o Japão na quinta-feira.

Segundo a AIEA, a temperatura nas piscinas de resíduos nucleares dos reatores 4, 5 e 6 de Fukushima é muito superior ao permitido e chega em alguns casos a triplicar o recomendado. De acordo com a agência nuclear da ONU, na piscina do reator 4, o combustível nuclear estaria às 7h de terça-feira de Brasília a 84 graus. Na piscina do reator 5, a temperatura era de 62,7 graus às 2h de Brasília desta quarta-feira, e no depósito do reator 6 teria alcançado no mesmo horário 60 graus. As temperaturas contrastam com os 25 graus que atingem os depósitos em condições normais de funcionamento.

Embaixadas

O Ministério de Relações Exteriores do Japão pediu calma aos países que alertaram suas populações para deixar ou não viajar para o Japão por causa do temor de um acidente nuclear. Segundo a TV pública NHK, os governos do Iraque, Bahrein e Angola notificaram o ministério nesta quarta-feira de que fechariam temporariamente suas embaixadas no Japão.

De acordo com relatos, os funcionários da embaixada já estariam deixando Tóquio. O ministério teria dito ainda que o governo do Panamá transferiu sua embaixada para a cidade de Kobe, no sul do país.
Antes, o governo da Áustria já havia anunciado que seu embaixador e diplomatas deixariam a embaixada em Tóquio para o consulado austríaco em Osaka.

De acordo com a NHK, o ministério pediu aos diplomatas e oficiais de governos estrangeiros no Japão que transmitam corretamente as informações fornecidas pelo governo japonês sobre a crise na usina.
Nesta quarta-feira, o governo britânico pediu aos seus cidadãos que estiverem em Tóquio ou no norte do país que considerem deixar os locais, por causa da crise em Fukushima e de uma possível falta de suprimentos na região.

Outros 24 países recomendaram que seus cidadãos deixem ou não viajem para o Japão, incluindo Alemanha, Turquia, Austrália, Estados Unidos, Coreia do Sul, Suécia e Portugal. Já o governo francês pediu à Air France dois aviões para retirar seus cidadãos do país a partir da quinta-feira.

A autoridade nuclear francesa diz que a catástrofe no Japão já atingiu o nível seis , em uma escala que vai até sete. O Japão classifica o incidente como nível quatro.

*AFP, EFE, AP e BBC

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