EUA permitirão envio de celulares a Cuba, mas exigem mudanças na ilha

Washington, 21 mai (EFE).- Insatisfeito com as reformas do Governo cubano, o presidente dos Estados Unidos, George W.

EFE |

Bush, disse hoje que permitirá aos americanos enviar telefones celulares a familiares na ilha, como medida de pressão para que o regime aumente a liberdade de expressão.

O líder americano anunciou a modificação de sua política para Cuba durante o primeiro Dia de Solidariedade com o Povo Cubano, uma jornada que a Casa Branca afirmou que pretende realizar anualmente, "até que haja liberdade na ilha".

Perante líderes republicanos do Congresso, amigos e parentes de prisioneiros políticos e diplomatas, Bush disse que se o Governo de Havana "fala com seriedade sobre reformas, deveria permitir ao povo que fale livremente em público".

Novamente, Bush pediu que Cuba efetue reformas econômicas e eleições livres e justas, permita a pluralidade política e cumpra com as normas internacionais sobre direitos humanos.

Em fevereiro, o novo presidente Raúl Castro reverteu algumas proibições que vigoravam durante o mandato de seu irmão e antecessor, Fidel Castro, permitindo aos cubanos comprar celulares e aparelhos de DVD, e ficar em hotéis antes reservados somente a turistas estrangeiros.

"Se Raúl (Castro) está falando a sério sobre o que ele chama de reformas, então permitirá que estes telefones celulares cheguem a mãos dos cubanos", disse.

Para Bush, as mudanças anunciadas por Raúl são superficiais.

"É o cúmulo da hipocrisia atribuir-se o mérito de ter suspendido a proibição para que os cubanos possam comprar determinados bens que, virtualmente, nenhum deles pode ter acesso", criticou.

O presidente se referiu ainda ao paradoxo de que, dentro de dois anos, se permitirá aos cubanos comprar torradeiras e outros eletrodomésticos, quando hoje em dia muitos não consegue comprar um pão para comer.

Segundo dados da Casa Branca, um telefone celular pode custar em Cuba cerca de US$ 120, mais uma quantia similar para ativar o serviço, quando o salário médio na ilha fica entre US$ 12 e US$ 20 mensais.

Calcula-se que um de cada 10 cubanos (cerca de 1,5 milhão de pessoas) viva nos Estados Unidos, e os exilados cubanos na Flórida têm um grande peso político no país.

A medida anunciada por Bush deverá ser elaborada pelos Departamentos de Estado e de Comércio, e poderia demorar algumas semanas para ser colocada em andamento.

Esta medida permitirá que os americanos enviem a seus parentes celulares e possam também manter contas para ativar o serviço telefônico dos EUA.

O Governo dos EUA mantém um embargo unilateral contra Cuba, como forma de pressionar por uma mudança de regime na ilha. Por sua vez, o Executivo cubano responsabiliza o embargo pelas dificuldades enfrentadas na ilha.

Nesse sentido, o secretário de Comércio americano, Carlos Gutiérrez, disse à Agência Efe que os Estados Unidos são o principal fornecedor de alimentos e remédios para a ilha.

"O problema não é o embargo, o problema é o comunismo, e para que fortalecer o regime enviando mais recursos?", perguntou Gutiérrez, que tem origem cubana.

O secretário de Comércio considerou que as recentes mudanças em Cuba são para "consumo externo", e têm como objetivo impressionar a comunidade internacional.

"A pergunta não é quando vai acabar o embargo, mas quando irá mudar o sistema em Cuba. O comunismo não funciona (...) o povo de Cuba continua sendo um dos mais reprimidos do mundo", disse Gutiérrez. EFE mp/gs

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG