EUA pediram para diplomatas espionar líderes estrangeiros

Informação faz parte de 250 mil documentos diplomáticos que foram vazados no domingo pelo site Wikileaks

AFP |

Os EUA ordenaram a seus diplomatas que atuassem mais ativamente no recolhimento de informações e realizassem tarefas de espionagem , segundo indicam os cerca de 250 mil documentos secretos vazados pelo site Wikileaks, que também revelam as opiniões americanas sobre os líderes estrangeiros e pedidos da Arábia Saudita para que o Irã fosse atacado por causa de seu programa nuclear.

Numa primeira reação, a Casa Branca condenou "nos termos mais fortes a publicação irresponsável e perigosa" desses documentos, afirmando que a iniciativa do Wikileaks poderá fazer com que muitas pessoas corram riscos. "Que isto fique claro: tais revelações fazem nossos diplomatas correr riscos", afirmou o porta-voz do presidente Barack Obama, Robert Gibbs.

Os documentos secretos expostos pelo Wikileaks - e publicados pelo americano New York Times, pelo britânico The Guardian e outros jornais - revelam que os funcionários do Departamento de Estado tinham ordem de obter informações pessoais de membros da ONU e de figuras-chaves de países em todo o mundo.

Os textos se referem a tarefas tradicionalmente reservadas à Agência Central de Inteligência (CIA) e outras agências de espionagem, que foram transmitidos a embaixadas americanas na África, Oriente Médio, Europa Oriental, América Latina e a missão de Washington perante a ONU.

Um dos documentos, por exemplo, enviado aos diplomatas em nome da secretária de Estado Hillary Clinton, em julho de 2009, ordena que sejam obtidos detalhes técnicos dos sistemas de comunicação dos principais funcionários da ONU, indica o The Guardian.

Isso inclui palavras-chave e códigos pessoais utilizados em redes comerciais e privadas para comunicações oficiais. Segundo o New York Times, um documento assinado por Hillary pede a seus funcionários na ONU que obtenham "informação biográfica e biométrica dos principais diplomatas da Coreia do Norte".

O britânico Guardian acrescenta que a ordem também visava ao recolhimento de dados do secretário-geral Ban Ki-moon, em especial sobre "seu estilo de gerenciamento e tomada de decisões e sobre sua influência sobre o secretariado".

Washington também pede os números dos cartões de crédito, endereços eletrônicos, números de telefone, fax e as contas de passagens aéreas dos altos funcionários das Nações Unidas. A ordem secreta para obter "inteligência humana nacional" foi enviada às missões dos Estados Unidos na ONU, Viena, Roma e 33 embaixadas e consulados.

As Nações Unidas anunciaram horas depois, em um comunicado, que "não se encontram em posição de comentar sobre a autenticidade do documento". De qualquer maneira, disse confiar que os Estados-membros respeitam a imunidade garantida à organização mundial.

Entre outros temas delicados, os documentos vazados pelo Wikileaks revelam, por exemplo, que o rei Abdullah da Arábia Saudita teria pedido aos EUA que atacassem o Irã para destruir o programa nuclear iraniano.

AP
Foto de 17/11/2007 mostra presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad (à esq.), cumprimentando o rei Abdullah, da Arábia Saudita
O monarca saudita teria pedido que os EUA "cortassem a cabeça da serpente", afirmando que trabalhar com Washington para contrabalançar a influência iraniana no Iraque era "uma prioridade estratégica para o rei e seu governo". Segundo outro documento, Israel teria pressionado os EUA a adotar uma posição mais firme com relação ao Irã em dezembro de 2009, ao afirmar que a estratégia americana de negociação com Teerã "não funcionava".

As revelações também dizem respeito ao que os Estados Unidos pensariam dos principais líderes mundiais. O chefe de Estado italiano, Silvio Berlusconi, por exemplo, é considerado irresponsável, e suas colega alemã, a chanceler Angela Merkel, "pouco adepta dos riscos e raramente criativa".

Outros funcionários descrevem o presidente francês Nicolas Sarkozy como "suscetível e autoritário" e afirmam que o presidente afegão Hamid Karzai é "extremamente fraco".

Um funcionário americano descreve um diálogo com um conselheiro francês que chama o presidente venezuelano Hugo Chávez de "louco" e outro documento que expressa o interesse de Washington por conhecer o "estado de saúde mental" da presidente argentina Cristina Kirchner.

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