O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu ao primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que Israel crie condições de confiança para que negociações indiretas de paz com os palestinos possam começar. A revelação foi feito pelo porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, depois dois encontros entre o mandatário americano e o líder israelense, em Washington.

"O presidente pediu ao primeiro-ministro que tome medidas para construir confiança para as negociações que virão, a fim de que possamos avançar rumo a uma paz abrangente no Oriente Médio", disse Gibbs.

O porta-voz disse que, apesar dos encontros, os dois países ainda mantêm diferenças, e os Estados Unidos desejam mais explicações sobre a anunciada construção de novas casas em Jerusalém oriental.

Gibbs descreveu as três horas e meia de encontros entre Netanyahu e o presidente americano, Barack Obama, como "uma discussão honesta e direta que prossegue".

"Existem áreas de concordância e outras de discordância", disse.

Recepção
Gibbs reiteirou os laços "indestrutíveis" entre os dois países, enquanto que os israelenses afirmaram que os encontros transcorreram sob uma "boa atmosfera".

Mas a correspondente da BBC em Washington Kim Ghattas diz que Netanyahu não recebeu a recepção de costume para um líder aliado americano.

Obama e Netanyahu não deram uma coletiva à imprensa. Também não houve recepção de gala, nem a Casa Branca divulgou fotos do encontro.

Segundo ela, isso sinaliza que os Estados Unidos estão jogando duro, mostrando que estão realmente aborrecidos com governo israelense.

Pior crise
A visita de Netanyahu ocorreu durante a pior crise entre os dois países em décadas. O premiê israelense atrasou sua partida na quarta-feira para encontrar o enviado americano para o Oriente Médio, George Mitchell.

A crise começou há duas semanas quando, durante a visita do vice-presidente americano Joe Biden a Israel, o país divulgou planos para a construção de 1,6 mil casas em Jerusalém oriental, a parte ocupada da cidade. Washington considerou a medida um insulto.

Na terça-feira, minutos antes do encontro de Netanyahu com Obama, foi revelado que a prefeitura de Jerusalém aprovou a construção de mais 20 casas na mesma região.

Os palestinos desejam que Jerusalém oriental seja a capital de seu futuro Estado, mas Israel insiste que a cidade não pode ser dividida.

Milhares de judeus vivem em assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém oriental, construídos desde a ocupação israelense dessas regiões, em 1967.

Estes assentamentos são considerados ilegais segundo a legislação internacional, embora Israel conteste isso.

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