Os Estados Unidos pediram nesta terça-feira ao governo venezuelano que esclareça sua relação com a guerrilha colombiana das Farc e se declararam surpresos com a reação da Venezuela e do Equador após a publicação do relatório neutro da Interpol.

"Os artigos publicados no Wall Street Journal, no Washington Post e no El Pais, entre outros jornais, mostram que existe, de fato uma relação entre as Farc e a Venezuela", declarou à imprensa Tom Shannon, secretário de Estado adjunto para a América Latina.

"Enquanto tentamos entender melhor esta relação e suas conseqüências, vamos pedir ao governo venezuelano que preste alguns esclarecimentos", acrescentou Shannon, que qualificou de "neutro" o relatório da Interpol sobre os arquivos encontrados no computador do falecido dirigente das Farc Raúl Reyes.

O diplomata americano formulou este pedido para esclarecer "se a relação pode ser utilizada de forma positiva para ajudar a acabar com um conflito de 40 anos na Colômbia, ou se alguns países não estão prontos para apoiar um vizinho democrático", acrescentou, em alusão à Venezuela e ao Equador.

Na semana passada, a Interpol afirmou que não houve modificações ou alterações nos computadores apreendidos pelo Exército colombiano em 1 de maio, após uma incursão num acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no Equador.

O número dois das Farc, Raúl Reyes, morreu durante esta operação.

A Interpol destacou que seu trabalho se limitou a verificar a integridade dos arquivos, mas não a autenticidade de seu conteúdo.

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, questionou a atuação da Interpol e desprezou o relatório emitido pela instituição, que qualificou de "palhaçada".

arz/yw

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.