Washington, 3 abr (EFE).- O representante especial dos Estados Unidos para a Coreia do Norte, Stephen Bosworth, pediu hoje a Pyongyang que não leve adiante o lançamento do que EUA, Coreia do Sul e Japão acreditam que será um míssil Taepodong, e advertiu de que haverá consequências caso o país insista no assunto.

Em entrevista, ele ressaltou que os Estados Unidos estão mantendo reuniões diplomáticas para conseguir que a Coreia do Norte não lance nos próximos dias, provavelmente amanhã, o que alega ser um satélite de comunicações, mas que Washington, Seul e Tóquio acreditam ser um míssil balístico de longo alcance Taepodong.

"Pedimos, da mesma forma que solicitamos agora, à Coreia do Norte que não lance isto", afirmou. A questão de "se é um satélite ou um míssil, é indiferente para nós. É um ato provocativo e esperamos que (Pyongyang) reconsidere" seus planos, acrescentou Bosworth.

O lançamento "não deveria ocorrer", insistiu.

Os Estados Unidos e os demais membros no diálogo de seis lados afirmam que um lançamento, seja de um foguete com um satélite de comunicações ou de um míssil balístico, violaria a resolução 1718 do Conselho de Segurança da ONU de 2006.

Esse item pede à Coreia do Norte para abandonar os testes de armas nucleares e mísseis balísticos, assim como o desenvolvimento desse tipo de armamento.

Por isso, se o país decidir continuar com seus planos, haverá represálias, algo que, disse o enviado especial americano, será o objetivo de Washington caso Pyongyang não ceda às pressões da comunidade internacional.

Bosworth não especificou quais as consequências que a Coreia do Norte poderia enfrentar, mas o representante especial se reuniu na semana passada com seus colegas de China e Japão para coordenar uma resposta perante um possível lançamento, e o presidente americano, Barack Obama, também debateu este tema com vários líderes na Europa.

Neste sábado se abre uma janela de cinco dias para o lançamento do foguete, conforme explicou a Coreia do Norte no dia 12 de março à Organização Internacional da Aviação Civil (Icao) e à Organização Marítima Internacional (IMO).

A Coreia do Norte pode optar por fazer o lançamento amanhã mesmo caso as condições climáticas permitam.

Apesar das advertências, Bosworth também aproveitou para oferecer apoio a Pyongyang para retomar o diálogo de seis lados.

O representante especial disse que trabalhará conjuntamente com seus aliados no diálogo de seis lados (EUA, Rússia, Japão, China e as duas Coreias) para garantir que, "quando a tempestade tiver acalmado", os países voltem a se concentrar em sua prioridade a longo prazo: as conversas nucleares.

"Consideramos que o diálogo de seis lados deve ser o centro de nossos esforços", disse.

"Isto não vai mudar. Continuaremos tendo contatos bilaterais (com os norte-coreanos) e estamos preparados para abrir este canal (de diálogo) em qualquer momento", sugerindo que estaria disposto a viajar para Pyongyang quando for útil. EFE cae/db

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