EUA pedem à China que pare de difamar o Dalai Lama e converse

WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos pediram na quarta-feira à China que deixe de lado suas imprecações contra o Dalai Lama e converse com o líder espiritual budista no exílio para que haja paz e estabilidade no Tibet. O governo chinês deveria aproveitar a oportunidade de conversar com esses tibetanos, representados pelo Dalai Lama, que se opõem à violência e não buscam a independência para o Tibet, disse o subsecretário de Estado John Negroponte numa audiência no Senado.

Reuters |

'A difamação pública do Dalai Lama não vai ajudar a acalmar a situação', disse ele, referindo-se a uma série de declarações furiosas de autoridades da China desde o início dos distúrbios no Tibete, em março.

Negroponte disse que foi 'mínima, na melhor das hipóteses', a resposta chinesa aos estímulos para a aproximação com o Dalai Lama e à autorização para a entrada de observadores no Tibet.

Na opinião dele, a China não conseguirá estabilidade na região se não resolver as décadas de descontentamentos acumulados ao longo de décadas de domínio chinês. Ele disse também que, sem a colaboração do Dalai Lama, de 72 anos, haverá espaço para o extremismo na região.

'Pela abordagem e o diálogo genuíno, a China e o Dalai Lama, líder espiritual da vasta maioria dos tibetanos, podem começar a eliminar diferenças, a explorar o significado da autonomia genuína e a tratar de antigos descontentamentos', afirmou.

Pequim acusa o Dalai Lama de promover os protestos de 14 de março em Lhasa e os distúrbios que se seguiram em outras áreas de população tibetana, o que seria parte de uma campanha para conseguir a independência do Tibet e arruinar a Olimpíada de agosto em Pequim.

O Dalai Lama diz ser favorável a mais autonomia para o Tibet, mas não à independência, e nega envolvimento nos distúrbios.

A China diz que 19 pessoas morreram nos incidentes.

Exilados tibetanos citam números muito maiores, atribuindo-os à repressão oficial. A crise desencadeou protestos e ataques contra a tocha olímpica em seu atual trajeto pelo mundo em direção a Pequim.

Na segunda-feira, o Dalai Lama reuniu-se em Michigan com a representante especial dos EUA para o Tibet, Paula Dobriansky, e agradeceu a preocupação de Washington. 'Neste momento, precisamos da sua ajuda', afirmou.

(Reportagem de Paul Eckert)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG