EUA participam pela 1ª vez de homenagem às vítimas de Hiroshima

Embaixador americano irá à cerimônia na cidade japonesa atacada pelos Estados Unidos com uma bomba atômica há 65 anos

iG São Paulo |

A cidade japonesa de Hiroshima prepara a maior cerimônia de sua história para marcar, nesta sexta-feira, os 65 anos do ataque com bomba atômica realizado pelos Estados Unidos em 6 de agosto de 1945, durante a 2ª Guerra Mundial. Pela primeira vez, representantes dos EUA e de outras potências nucleares participarão do evento.

A decisão de Washington de enviar o embaixador americano no Japão, John Roos, à cerimônia é vista como uma indicação de que o presidente Barack Obama pode visitar Hiroshima durante seu mandato – algo que nunca foi feito por nenhum líder americano.

A Grã-Bretanha e a França, potências nucleares que foram aliadas dos Estados Unidos durante a 2ª Guerra, também participarão oficialmente da cerimônia pela primeira vez. A cerimônia contará com representantes de 75 nações, além do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

O governo de Hiroshima se empenha para que a cerimônia enfatize o futuro, e não o passado. Assim, o foco não estará na discussão sobre se houve ou não justificativa para o bombardeio, mas em impedir um novo ataque.

Ban Ki-moon, que visitou Nagasaki nesta quinta-feira, disse que a cerimônia deste ano vai mandar um “forte sinal” para o mundo de que as armas nucleares devem ser destruídas. “A única forma de garantir que esses armamentos nunca mais sejam usados é eliminando todos eles”, afirmou.

A participação americana na cerimônia foi elogiada pelo governo japonês, mas deixou a população dividida: alguns japoneses acreditam que os Estados Unidos devem pedir desculpas pelo ataque, o que nunca foi feito.

“Os americanos acham que a explosão da bomba foi razoável porque acelerou o fim da guerra. Eles tentam ver o que aconteceu de um jeito positivo”, afirmou Naomi Sawa, 69 anos. “Mas nós fomos destruídos.”

Nesta quinta-feira, a secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que o presidente Obama considerou ser “apropriado reconhecer o aniversário” do bombardeiro. O governo considera a ocasião como uma oportunidade para promover o desarmamento nuclear, defendido por Obama.

No Parque do Memorial da Paz, em Hiroshima, a visitante Katsuko Nishibe, 61 anos, disse aprovar a participação americana na cerimônia. “Temos uma interpretação muito diferente da história, mas podemos concordar que a paz é importante”, afirmou. “Essa é a verdadeira lição de Hiroshima.”

O ataque

A bomba atômica lançada pelos EUA em Hiroshima provocou uma verdadeira mudança de identidade na cidade japonesa. Com tradição militar desde a era Meiji (1868-1912), Hiroshima adotou o conceito de cidade da paz como base para seu processo de reconstrução.

Até 1945, Hiroshima era sede de importantes instalações das Forças Armadas japonesas e de fábricas que produziam materiais utilizados pelo Exército. A explosão da bomba atômica, em 6 de agosto, destruiu 40% da cidade e matou 140 mil pessoas. Nos anos seguintes, doenças relacionadas à radiação elevaram o número de mortos para 253 mil, segundo o governo japonês.

O mesmo efeito devastador de longo prazo ocorreu em Nagasaki, atingida por outra bomba nuclear três dias depois. Apenas em 1945, 70 mil pessoas morreram, número que passou para 143 mil nos anos seguintes. A tragédia que atingiu as duas cidades levou o Japão a se render em 15 de agosto.

Com AP

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