EUA param para celebrar a posse de Obama

Por Andrea Hopkins CINCINNATI (Reuters) - Longe da pompa e circunstância de Washington, norte-americanos fizeram grandes e pequenos eventos para assistir nesta terça-feira à histórica posse de Barack Obama como primeiro presidente negro dos EUA.

Reuters |

No Centro da Liberdade, um museu de Cincinnati que celebra o fim da escravidão, 300 pessoas lotaram um auditório para assistir à cerimônia num telão.

"Eu quis estar junto das pessoas, e é uma bênção estar aqui para ver", disse Carla Smith, 44, operária da construção civil. "O Centro da Liberdade diz muito sobre os afro- americanos, e agora somos todos simplesmente americanos. É um momento histórico."

Sharon Ellis, 11 anos, faltou à escola para ir ao evento com a avó. "É realmente especial", disse a menina, também negra. Mas, embora satisfeita com a posse de um afro- americano, ela alertou: "Tem todas as questões também, o que ele vai fazer no Iraque e tal."

Na Escola Primária Valley Park, em Overland Park, Kansas, a posse foi mostrada em todas as salas de aula, como em muitas escolas do país.

"Estamos fazendo uma coisa grande", disse a professora primária Dustin Springer, cujos 22 alunos, de 6 e 7 anos, assistiram ao desfile e ao discurso de Obama.

Em Nova York, milhares assistiram às festividades num telão da Times Square. "Nunca havia ido a uma posse. É revelador que tanta gente esteja aqui, testemunhando este evento. Obama é alguém que nos dá esperança no futuro", disse o desempregado negro Anthony Randolph, 28 anos, do Brooklyn.

DE CHICAGO A GUANTÁNAMO

No Texas, Kris Clark passou o dia com voluntários no aeroporto internacional de Dallas-Fort Worth, saudando soldados que chegavam do Iraque e Afeganistão.

"Pensei que meu patriotismo hoje seria vir aqui, são eles que nos mantêm seguros", disse Clark, 66 anos, acrescentando que ouviu a posse pelo rádio.

Na ensolarada base naval de Guantánamo, encravada no sudeste de Cuba, e onde 245 suspeitos de terrorismo são mantidos detidos pelos EUA, soldados e marinheiros assistiram à posse na TV do refeitório, na hora do almoço.

"Já estava demorando", disse o marinheiro negro Ernie Dwight, que aplaudia o juramento de Obama. O novo presidente promete desativar a prisão militar, que se tornou símbolo das críticas internacionais ao governo Bush,

Em Chicago, cidade onde Obama fez carreira política, todos também pararam para ver a posse. Numa escola montessoriana, a diretora Jennifer Hanna alugou um telão e oferecia lenços de papel aos pais mais comovidos. Sob seu comando, os alunos de 3 a 5 anos aplaudiram os momentos da posse do vice Joe Biden e de Obama.

Muitos locais de trabalho também fizeram uma pausa. A Microsoft patrocinou eventos para a transmissão em mais de dez filiais no país.

Mas houve quem ficasse de fora da festa. Num sinal dos tempos, cerca de cem profissionais e executivos, a maioria desempregados, participaram de um evento para aperfeiçoar seu currículo, em Scottsdale (Arizona), em vez de assistir à pose do homem que promete criar 3 milhões de empregos nos próximos anos.

"Ver a posse ao vivo não me interessa tanto no momento, posso ver depois na TV", disse o incorporador comercial Scott Jeffy, 59 anos, que há seis meses procura trabalho.

(Reportagem adicional de Carey Gillam, Claudia Parsons, Ed Stoddard, Jane Sutton, Verna Gates e Andrew Stern)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG