EUA nunca tentaram reabilitar prisioneiros de Guantánamo

Washington, 19 fev (EFE).- O Pentágono nunca teve um programa de reabilitação para as centenas de supostos terroristas detidos na base naval dos Estados Unidos em Guantánamo (Cuba), e muitos retornaram a suas atividades extremistas após serem libertados, publica hoje o jornal The Washington Times.

EFE |

"A ausência de um programa de 'desradicalização' adquire mais importância este ano quando o Governo do presidente Barack Obama se prepara para fechar a prisão e enviará mais destes combatentes para outros países", diz o jornal.

O Governo do ex-presidente George W. Bush capturou e transferiu para a base naval na Bahia de Guantánamo centenas de homens e a prisão chegou a ter até 780 prisioneiros, qualificados pelo Pentágono como "combatentes inimigos ilegais".

"Não temos um programa de reabilitação em Guantánamo", declarou o comandante Jeffrey Gordon, porta-voz do Pentágono no que se refere ao campo de prisioneiros, diz o "The Washington Times".

"A prisão foi construída para manter os combatentes inimigos fora do campo de batalha", acrescentou.

Segundo a Agência de Inteligência de Defesa do Pentágono, pelo menos 61 homens que estiveram detidos em Guantánamo "retornaram às atividades terroristas", segundo a publicação.

"A utilidade dos programas de reabilitação que outros países têm é questionável", afirmou o artigo. "A Arábia Saudita anunciou recentemente que 11 ex-prisioneiros de Guantánamo, que passaram pelo programa saudita de reabilitação estão agora na relação governamental dos terroristas mais procurados".

No mês passado as autoridades americanas afirmaram que Said Ali al-Shihri, libertado de Guantánamo no final de 2007, agora se transformou no subchefe das operações da Al Qaeda no Iêmen.

"Entretanto, os Estados Unidos tiveram mais êxito com um programa que esteve em funcionamento na prisão iraquiana de Abu Ghraib", segundo a publicação.

No Iraque, o general Douglas Stone - que esteve a cargo dos detidos até o ano passado - instituiu um programa que separava os extremistas dos detidos em que se via a possibilidade de abandonarem a violência.

Stone, em um encontro com jornalistas no mês passado, explicou que tais esforços incluíam educação, capacitação laboral, educação cívica, discussão de Islã, visitas das famílias e programas de trabalho remunerado.

Gordon disse ao jornal que cerca de 70 dos 245 homens atualmente presos em Guantánamo podem concorrer a aulas de arte e de inglês. A estes prisioneiros lhes são permitidas 12 ou mais horas diárias de recreação, durante as quais jogam futebol e se dedicam a outras atividades, inclusive o cultivo de hortas.

"Não é um programa para reabilitar os detidos, apesar de os detidos que cumprirem as regras da prisão terem mais privilégios autorizados que os reticentes", acrescentou.

"A reabilitação não foi parte da política ali desde o começo", declarou Gordon ao jornal. EFE jab/fal

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