EUA nomeiam promotor para investigar abusos da CIA a presos

Por Jeremy Pelofsky e James Vicini WASHINGTON (Reuters) - O secretário de Justiça dos EUA, Eric Holder, nomeou na segunda-feira um promotor especial para investigar supostos abusos da CIA contra presos.

Reuters |

A decisão pode criar problemas políticos para o presidente Barack Obama, além de distraí-lo da sua prioridade de aprovar a reforma da saúde. A medida ocorre depois de um comitê de ética do Departamento de Justiça recomendar processos contra funcionários e contratados da Agência Central de Inteligência (CIA) que tenham realizado interrogatórios agressivos no Iraque e no Afeganistão, extrapolando os limites autorizados na época.

"Percebo plenamente que minha decisão de começar esta revisão preliminar será controversa", disse Holder em nota. "Neste caso, dada toda a informação atualmente disponível, está claro para mim que esta revisão é o único caminho responsável para seguir."

Ele nomeou o procurador federal John Durham para comandar a investigação. Durham já investiga a destruição de gravações da CIA que mostravam interrogatórios agressivos contra suspeitos de terrorismo.

Logo depois de tomar posse, Obama revogou as técnicas "ampliadas" de interrogatório que haviam sido aprovadas no governo de seu antecessor, George W. Bush, o que incluía privar suspeitos de alimentos e sono e submetê-los a simulações de afogamento.

Vários funcionários do governo Bush, inclusive o ex-vice-presidente Dick Cheney, saíram em defesa daqueles métodos, negando que eles fossem uma forma de tortura.

Em um dos casos a serem investigados, os interrogadores disseram ao militante Khalid Sheikh Mohammed, suposto mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001, que seus filhos seriam mortos se ocorressem novos ataques contra os EUA, de acordo com novos detalhes divulgados a partir de um relatório de 2004 do inspetor geral da CIA.

Em nota, a Casa Branca reiterou que a intenção de Obama é "olhar para frente, não para trás", mas disse que "as determinações finais sobre se alguém violou a lei são feitas independentemente pelo secretário de Justiça."

Também na segunda-feira, o governo anunciou a criação de um novo grupo para interrogar suspeitos de terrorismo em concordância com as regras em vigor. A supervisão passará da CIA para o FBI (polícia federal dos EUA).

O diretor da CIA, Leon Panetta, divulgou nota a seus subordinados pedindo que voltem seus olhos para o futuro, e dizendo que os novos detalhes contidos no relatório de 2004 são parte de uma "história velha". Críticos da investigação temem que a divulgação de detalhes prejudique a coleta de informações estratégicas.

"Para a CIA, agora, o desafio não são as batalhas de ontem, mas as de hoje e amanhã", disse ele na nota, à qual a Reuters teve acesso.

A decisão de Holder reverte uma medida do governo Bush, que havia decidido contra punições a funcionários da CIA envolvidos no relatório enviado pelo inspetor geral ao Departamento de Justiça.

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