EUA negam ter sequestrado cientista nuclear do Irã

Dois vídeos mostram versões diferentes sobre paradeiro de físico que teria amplo conhecimento sobre programa atômico iraniano

iG São Paulo |

Os EUA negaram nesta terça-feira que tenham sequestrado um físico nuclear iraniano que poderia conhecer segredos do programa nuclear do Irã. A declaração foi feita depois de o governo iraniano afirmar ter provas de que Shahram Amiri - que desapareceu há um ano durante uma viagem à Arábia Saudita - foi sequestrado pelo Serviço de Inteligência americano e está sendo mantido nos EUA.

"Se detivemos um cientista iraniano? A resposta é não", afirmou o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, acrescentando que não faria comentários sobre se o físico iraniano estava ou não nos EUA.

AFP
Reprodução de TV iraniana mostra cientista nuclear Shahram Amiri, que o Irã diz ter sido sequestrado pelos EUA
Amiri trabalhava como pesquisador em uma universidade de Teerã, segundo a imprensa iraniana. Mas, segundo outros relatos, ele trabalhava para a Organização de Energia Atômica do Irã e teria um conhecimento profundo sobre o programa nuclear do país. Com aproximadamente 30 anos, ele desapareceu em junho de 2009 ao chegar à Arábia Saudita, para onde foi, oficialmente, em peregrinação.

Dois vídeos, um divulgado no Irã e outro colocado no site YouTube, apresentam visões opostas sobre o destino do cientista do Irã. Na noite de segunda-feira, a televisão iraniana divulgou um vídeo com a entrevista de um homem apresentado como Shahram Amiri, que afirma ter sido sequestrado pelos serviços secretos americano e saudita e levado aos EUA.

O vídeo, divulgado pela emissora Irib, mostra o homem usando fones de ouvido e aparentemente falando a uma webcam. Logo no início, ele afirma que a gravação estava sendo feita em 5 de abril. Em entrevista de cerca de quatro minutos, o homem, filmado em local fechado, disse estar atualmente "na cidade de Tucson, no Arizona", sudoeste dos EUA, para onde teria sido levado contra sua vontade.

No vídeo, ele diz ter estar sendo usado para pressionar o Irã e teria sido forçado a dizer que desertou com um laptop cheio de informações sobre os segredos nucleares iranianos.

Ele diz que estava na cidade saudita de Medina em 3 de junho de 2009, quando teria sido drogado e sequestrado. Depois de ter sido sequestrado, ele conta que foi "levado a uma casa em algum lugar da Arábia Saudita". "Deram-me uma injeção para dormir e, quando acordei, estava em um avião rumo aos EUA", afirmou. 

Ele disse também que havia sido torturado para dizer, em uma entrevista à imprensa americana, que era uma figura importante no programa nuclear iraniano e havia pedido asilo nos EUA por sua própria vontade.

"Várias pessoas examinaram o vídeo e não estamos certos de sua autenticidade", comentou Crowley. "Não temos o hábito de sair sequestrando pessoas através do mundo", insistiu.

Versão oposta

Um vídeo postado no YouTube, entretando, contradiz a versão apresentada pela TV americana. Esse outro vídeo, também divulgado na segunda-feira, mostra um suposto Amiri dizendo estar feliz por estar nos EUA.

No vídeo do YouTube, o homem diz que está vivendo com segurança e que pretende terminar seus estudos para um doutorado nos EUA. "Estou livre aqui e garanto a todos que estou em segurança", diz em farsi no vídeo postado em 7 de junho pelo usuário shahramamiri2010.

"Meu objetivo na conversa de hoje é colocar um fim a todos os rumores e acusações que foram levantadas contra mim no último ano. Sou iraniano e não tomei caminhos contrários à minha pátria", disse. "Não tenho nenhuma posição política e não tenho interesse nos temas e nas discussões políticas de qualquer Estado ou país. Não estou envolvido em pesquisas de armamentos e não tenho experiências nesse campo."

Em março, a rede americana de TV ABC mostrou uma reportagem que afirmava que Amiri havia desertado e estaria ajudando a fornecer informações à inteligência americana sobre o programa iraniano para armamentos nucleares.

Os EUA e seus aliados acreditam que o Irã está tentando desenvolver armamentos nucleares, mas o governo iraniano nega a acusação e diz que seu programa nuclear tem fins pacíficos.

*AFP e BBC

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