EUA não se comprometem com corte de emissões até 2050, diz fonte

Por Linda Sieg TÓQUIO (Reuters) - O Japão ainda não convenceu os Estados Unidos a concordarem com uma meta mundial de redução de 50 por cento de gás do efeito estufa até 2050, para ser definida durante a cúpula do G8 a ser realizada no país, em julho, disse uma fonte do governo japonês nesta quinta-feira.

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O anfitrião da cúpula, o primeiro-ministro do Japão, Yasuo Fukuda, está diante da perspectiva de um fracasso diplomático nas conversações dos próximos meses se o governo norte-americano se recusar a concordar com uma meta de emissões para 2050.

Uma reunião fraca pode erodir a taxa de apoio a Fukuda, que mostrou pequena melhora depois de cair abaixo dos 20 por cento de aprovação por causa das dúvidas sobre sua liderança perante uma oposição irascível, que tem o controle da Câmara Alta do Parlamento e pode bloquear a aprovação de projetos.

O Japão quer que a cúpula do Grupo dos Oito, em 8 de julho, e uma reunião mais ampla agendada para o dia seguinte com outras oito grandes economias, incluindo a China e o Brasil, criem condições para negociações conduzidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o esboço de um compromisso para a redução de emissões de carbono depois que expirar a primeira fase do protocolo de Kyoto, em 2012.

Mas persistem as dúvidas sobre o quanto o G8 poderá avançar em relação a um acordo alcançado numa cúpula no ano passado na Alemanha.

O G8 concordou no ano passado que iria considerar seriamente o estabelecimento de uma meta mundial de reduzir pela metade as reduções de gás do efeito estufa até 2050.

'Para mim parece que se o Japão falhar em mencionar os '50 por 50', talvez o primeiro-ministro Fukuda receba fortes críticas da mídia, do público e dos partidos de oposição', disse a fonte do governo japonês.

Há especulações de que depois da cúpula o partido de Fukuda poderia substituí-lo por um político mais popular para melhorar suas chances na eleição que terá de ser realizada até o fim de 2009.

A fonte disse que um acordo sobre uma meta comum de longo prazo não é de modo algum algo acertado, embora ainda haja esperança de que o presidente dos EUA, George W. Bush, se comprometa com a meta.

Comentários feitos por autoridades dos EUA fizeram emergir dúvidas sobre se o G8 vai emitir um comunicado próprio sobre mudanças climáticas na cúpula que será realizada em Toyako, norte do Japão, embora o governo japonês esteja pressionando para isso, disseram fontes diplomáticas.

Os EUA querem que o principal fórum para discussão sobre redução de emissões seja o Encontro das Grandes Economias, instância criada no ano passado para incluir países emergentes como Brasil, China e Índia e os membros do G8. A próxima reunião desse grupo será realizada à margem da cúpula do G8, no dia 9 de julho.

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