EUA não creem em risco de guerra entre Colômbia e Venezuela

Santiago do Chile, 11 jan (EFE).- Os Estados Unidos não acreditam em risco de uma guerra entre a Colômbia e a Venezuela, como indicaram analistas e meios de comunicação, garantiu hoje o secretário de Estado Adjunto para a América Latina, Arturo Valenzuela.

EFE |

"Não acreditamos francamente que isso vá ocorrer", assinalou Valenzuela.

Valenzuela, que chegou hoje ao Chile, seu país natal, para uma visita oficial de dois dias, fez as declarações durante uma entrevista coletiva na embaixada americana.

Durante a primeira viagem ao Chile como secretário de Estado adjunto para o Hemisfério Ocidental, Valenzuela se reunirá com a presidente Michelle Bachelet, o chanceler Mariano Fernández e os dois candidatos da eleição presidencial do próximo domingo, Eduardo Frei e Sebastián Piñera.

Em referência às tensões entre a Colômbia e a Venezuela, originadas em parte a partir de um acordo de cooperação militar entre os EUA e a Colômbia no qual o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, vê um risco potencial de agressão a seu país, Valenzuela advertiu que "é preciso ter cuidado que, de repente, pode surgir um incidente".

A Administração de Barack Obama "monitora com grande atenção" a "complexa e difícil situação" que atravessam as relações entre Colômbia e Venezuela, acrescentou Valenzuela, quem especificou que o acordo para a utilização de instalações militares assinado pelos EUA com o Governo de Álvaro Uribe é muito parecido em seus aspectos básicos aos alcançados com outros países.

"Não são bases, são aeroportos a partir de onde - com a permissão da Colômbia - podem sair alguns voos", detalhou o secretário de Estado Adjunto e enfatizou que a parceria tem como objetivo o combate ao narcotráfico.

Valenzuela demonstrou cautela ao ser perguntado sobre temas de política interna e assuntos bilaterais entre países da região que não impliquem aos Estados Unidos.

Por isso recusou pronunciar-se sobre a demanda apresentada pelo Peru contra o Chile na Corte Internacional de Justiça de Haia pela controvérsia sobre a fronteira marítima, e também não quis falar da crise institucional por causa da fracassada exoneração do presidente do Banco Central da República Argentina, Martín Redrado, pela presidente, Cristina Fernández de Kirchner.

Da mesma forma, recusou comentar as repercussões da dupla desvalorização do bolívar frente ao dólar decretada na sexta-feira passada pelo presidente Chávez na Venezuela.

"Os Estados Unidos não tem respostas para todos os problemas da América Latina", especificou o subsecretário, que explicou que a política do presidente Barack Obama se resume a ideia de "ser um parceiro melhor, sem impor critérios".

"Os grandes problemas do século 21 só podem encarar com cooperação", afirmou Arturo Valenzuela, para quem a América Latina avançou nos últimos anos.

Sobre a crise em Honduras, Valenzuela indicou que o fato de que Porfirio Lobo vá ser o presidente de Honduras "não significa automaticamente" o retorno desse país à Organização dos Estados Americanos (OEA).

O que é preciso é "o restabelecimento do processo democrático".

Os Estados Unidos veriam com bons olhos a formação de um Governo de união nacional e "o cumprimento dos elementos mais importantes" do Acordo de San José, como iniciado por uma Comissão da Verdade sobre o golpe de Estado ocorrido em 28 de junho.

Com relação à aproximação dos EUA em direção a Cuba, Valenzuela especificou que "é um processo paulatino. Aqui não há uma decisão de tomar passos gigantes no curto prazo", manifestou.

Valenzuela celebrou hoje reuniões com Frey e com o ex-presidente socialista Ricardo Lagos (2000-2006).

Amanhã será recebido pela presidente Bachelet e se reunirá, separadamente, com Piñera, o ministro da Fazenda, Andrés Velasco, e o chanceler Fernández, com quem assinará um tratado de extradição e um memorando de entendimento sobre cooperação para o desenvolvimento. EFE mf/dm

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