EUA não confirmam abertura de escritório de interesses no Irã

Macarena Vidal Washington, 17 jul (EFE).- O Governo dos Estados Unidos admitiu hoje que tem interesse em se aproximar do Irã sem confirmar nem desmentir as informações sobre a possível abertura de um escritório de interesses em Teerã, pela primeira vez em 30 anos.

EFE |

O jornal britânico "The Guardian" afirma hoje que o anúncio da inauguração desse escritório acontecerá no próximo mês.

Washington, que não tem relações diplomáticas com o Irã desde a revolução islâmica de 1979 que derrubou o xá Reza Pahlevi, nem negou nem confirmou essa informação.

Em sua coletiva de imprensa diária, o porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack, limitou-se a dizer que não fala sobre "as deliberações internas do Governo dos EUA.".

"É bastante evidente, devido a nossos esforços dos últimos anos, que temos um interesse verdadeiro em nos aproximar do povo iraniano.

E estamos fazendo isso de várias maneiras", declarou McCormack.

A afirmação do "Guardian" acontece depois de os EUA anunciarem na terça-feira o envio do número três de seu Departamento de Estado, William Burns, às conversas que acontecerão, neste sábado, em Genebra entre o representante de política externa da União Européia (UE), Javier Solana, e o Irã.

Há três semanas, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pareceu confirmar o interesse de Washington em enviar representantes diplomáticos a Teerã, ao indicar que o povo iraniano merece "algo melhor" e que os EUA querem fomentar as visitas de cidadãos do Irã a seu território.

A imprensa americana já admitiu nas últimas semanas, especialmente após as declarações de Rice, a possibilidade de Washington abrir um escritório de interesses em Teerã dentro de uma embaixada estrangeira, similar à que existe em Havana dentro da legação diplomática da Suíça.

Entre outras funções, esse escritório emitiria vistos aos cidadãos iranianos que queiram viajar para os EUA, promover os laços educativos e culturais e, ao mesmo tempo, servir de olhos e ouvidos a Washington sobre o que acontece no país árabe.

Uma das queixas mais freqüentes sobre as negociações para persuadir o Irã a abandonar suas atividades nucleares é que os americanos não contam com presença no território para saber qual a verdadeira situação desse país.

O Irã tem um escritório de interesses em Washington.

McCormack não quis dizer se Burns abordará a questão do escritório de interesses com os representantes iranianos neste fim de semana, embora sua presença em Genebra já represente por si só uma abertura, pois até agora os EUA se negavam a manter contatos diretos com Teerã.

O Departamento de Estado insistiu que o papel de Burns, subsecretário para Assuntos Políticos, será "escutar" e não negociar.

Na reunião de Genebra, espera-se que os negociadores iranianos, liderados por Said Yalili, transmitam a Solana sua resposta definitiva à oferta de incentivos apresentada mês passado pelo grupo de países responsáveis por conduzir as discussões sobre a questão nuclear do Irã Esse grupo é formado pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido), mais a Alemanha.

Rice afirmou hoje que desconhece qual será a resposta definitiva iraniana, mas enfatizou que os EUA apostam diplomacia para resolver este impasse.

"Estamos oferecendo aos iranianos a possibilidade de se aproximar da comunidade internacional, mas também insistimos que têm que suspender seu programa, de modo que se possa verificar, para que possamos entrar em negociações", ressaltou a secretária de Estado.

Enquanto o Governo dos EUA parece suavizar sua postura em relação ao Irã, o Congresso enviou hoje um sinal de advertência a esse país.

O Comitê de Bancos do Senado aprovou por 19 votos contra dois um projeto de lei que amplia as sanções econômicas e comerciais ao Irã caso Teerã não abandone suas atividades nucleares e seu apoio a grupos terroristas.

Entre outras medidas, o projeto de lei incentiva os fundos de pensões e as autoridades locais a retirarem seus investimentos das empresas vinculadas ao setor energético iraniano. EFE mv/rb/rr

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