EUA mudaram com Obama, mas ainda são o mesmo país

Foi um desfecho histórico para uma campanha inesquecível. Quer se tenha participado dela como jornalista, como ativista ou como político, todos aqueles envolvidos de uma forma ou de outra com a disputa presidencial americana de 2008 se lembrarão dos eventos que testemunharam por anos a fio.

BBC Brasil |

Desde a inesperada vitória de Obama no caucus de Iowa, onde firmou sua arrancada rumo à Casa Branca, até o desenlace triunfante, no Grant Park, de Chicago.

São inúmeras imagens que permanecem.

A de uma eleitora branca, de meia-idade e de um Estado com histórico racista, a Virgínia Ocidental, que começou a chorar ao responder que iria votar em Obama porque não se sentia tão inspirada assim desde Robert Kennedy.

A de um jovem negro da Carolina do Sul, que contou que seu avô tinha o sonho de um dia ver um homem negro chegar à Casa Branca, mas nunca acreditara que esse sonho iria se cumprir.

A atmosfera de concerto de rock dos comícios de Obama e a reação ensandecida das multidões.

Mas não devemos esquecer também as lágrimas - sinceras ou não - de Hillary Clinton.

O discurso de Bill Clinton na Convenção Democrata, que terminou por ser uma inesperada e ardorosa defesa de Barack Obama.

A surpreendente conquista de John McCain na Flórida, que contribuiu decisivamente para que ele se firmasse como o potencial candidato presidencial republicano.

E, por que não, o discurso de Sarah Palin na convenção de seu partido, que eletrizou a base republicana.

Ao eleger presidente pela primeira vez um negro, o país que até meados dos anos 60 discriminava seus concidadãos abertamente e até com o auxílio da lei, virou uma página de sua história.

Quando Obama nasceu, casamentos inter-raciais como o de seu pai e sua mãe eram considerados atos criminosos em diversos Estados americanos.

Negar que a conquista do democrata represente um sinal da transformação americana seria uma mostra excessiva de ceticismo.

Mas, o mesmo país que elegeu seu primeiro líder afro-americano é aquele cujos eleitores em três Estados votaram pela proibição da união entre casais gays.

É a mesma nação em que alguns correligionários de John McCain passaram a chamar Obama de ''socialista'' porque ele defendeu a tese de compartilhar riqueza através da cobrança de impostos para os mais ricos.

Os Estados Unidos são um país de excessos, mas que segue tendo um receio mortal de qualquer intervenção estatal mesmo em áreas vitais, como saúde e educação, porque isso equivaleria, de novo, a ''socialismo''.

A capital do país possui um índice de portadores de Aids e do vírus HIV comparável ao de certas nações africanas e que atinge, em especial, a população negra da cidade.

E, vale lembrar que, em meio à grave crise econômica, um único setor está em alta, a indústria armamentista, já que muitos apreciadores de armas acreditam que Obama poderá tentar apreender seus revólveres e rifles.

Por essas e por outras, os Estados Unidos mudaram mas seguem, fundamentalmente, sendo o mesmo país.

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