EUA montam estratégia para agilizar entrega de ajuda ao Haiti

César Muñoz Acebes. Washington, 19 jan (EFE).- Os Estados Unidos anunciaram hoje que abrirão duas pistas de pouso para escoar a ajuda humanitária ao Haiti e, ao mesmo tempo, aliviar a pressão sobre o aeroporto de Porto Príncipe, onde boa parte da assistência se acumula por falhas na distribuição.

EFE |

A boa vontade internacional encheu de água, alimentos e medicamentos o terminal aéreo da capital haitiana, que só tem uma pista funcionando. No entanto, a falta de infraestrutura e de coordenação tem dificultado a entrega da ajuda às vítimas do tremor da semana passada.

Os EUA pretendem arrebentar este gargalo abrindo duas pistas de pouso em 24-48 horas, disse o general Daniel Allyn em uma entrevista coletiva na sede do Pentágono.

A primeira faixa será instalada no município haitiano de Jacmel, onde aterrissarão os aviões que darão apoio às operações de assistência humanitária do Canadá, afirmou Allyn, o segundo homem no comando das operações militares dos EUA no Haiti.

Do mesmo local, acrescentou o oficial, partirá a assistência às províncias do sul do Haiti. Já a outra pista será aberta na República Dominicana, na cidade de San Isidro.

O Pentágono quer ainda que aviões lancem água e alimentos para a população. Allyn explicou que esta medida não foi tomada antes porque são necessárias tropas no lugar em que os mantimentos serão jogados para que não haja tumulto.

Até a quarta-feira passada, os EUA descartavam o lançamento de ajuda humanitária por ar. Porém, a chegada de milhares de soldados americanos ao Haiti e o congestionamento no aeroporto de Porto Príncipe levaram o Governo americano a rever esta posição.

Por ora, no aeroporto de Porto Príncipe, aviões continuam aterrissando e descarregando ajuda, sem se preocupar com a distribuição e o armazenamento da carga, reclamou nesta terça-feira o subdiretor da Organização Pan-americana de Saúde (OPS), Jon Andrus.

Além disso, algumas equipes estão chegando ao país "sem apoio logístico suficiente", por isso Andrus pediu que os voluntários que aterrissem em Porto Príncipe sejam "autossuficientes".

"Temos que nos coordenar melhor. Este tema é um desafio. Sabemos que houve tensões" entre diversos países pela falta de uma direção clara na campanha de ajuda, acrescentou.

Alguns países criticaram os EUA por supostamente darem prioridade à aterrissagem de seus voos no aeroporto, já que os americanos controlam o terminal e estão fortemente presentes na nação caribenha.

Esta presença foi reforçada hoje com o desembarque dos primeiros de 800 marines que darão suporte às operações de ajuda na zona oeste de Porto Príncipe.

A distribuição da ajuda também é prejudicada por atos de violência em "alguns pontos" do Haiti, admitiu o Pentágono. No entanto, os EUA resistem a conceder poder de Polícia aos seus militares.

Allyn disse que o Pentágono acha que os "capacetes azuis" posicionados no Haiti e a Polícia do país têm capacidade suficiente "para responder aos incidentes" registrados na capital.

De qualquer maneira, o general destacou que os EUA ajudam o Governo do país caribenho a "manter a ordem e a evitar que a insegurança piore e comprometa" a distribuição de ajuda à população.

EFE cma/sc

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