EUA: mercado de trabalho apresenta bons números em abril

O mercado de trabalho americano se retraiu menos que o esperado em abril, com a supressão de 20.000 postos de trabalho, levando alívio aos mercados financeiros do mundo todo.

AFP |

A taxa de desemprego caiu para 5% da população economicamente ativa, contra os 5,1% registrados no mês anterior, informou nesta sexta-feira o departamento do Trabalho americano.

Embora tenha sido a quarta queda consecutiva do nível de emprego, as cifras foram uma surpresa agradável para os analistas, que previam uma redução de 75.000 empregos - após os 81.000 suprimidos em março - e uma taxa de desemprego da ordem de 5,2%.

"No conjunto, a pequena retração das contratações reforçam a idéia de uma recessão ou leve crise da economia americana. Não é uma boa notícia, mas reduz os temores em relação a uma crise profunda e prolongada", estimou Stephen Gallagher, do banco francês Société Générale.

Os mercados reagiram bem a esta perspectiva. Em Nova York, o índice Dow Jones subia 0,72%, a 13.098,51 pontos até as 14H20 GMT, o euro perdia terreno frente ao dólar.

"As perdas de postos de trabalho estão muito abaixo do nível normal em uma recessão para este ponto do ciclo econômico", apontou o economista independente Robert Brusca. "A equação é pouco firme para os que falam em recessão", explicou.

Entretanto, o relatório sobre o emprego em abril revela uma economia que ainda sofre os efeitos da crise imobiliária.

O setor da construção civil perdeu 61.000 empregos, enquanto a indústria suprimiu 46.000. No comércio, foram 27.000 postos de trabalho, mas no setor de serviços o saldo foi positivo: ao todo, 52.000 novos empregos foram criados nas áreas de educação e saúde, 39.000 no setor de serviços e empresas e 18.000 em atividades de recreação.

"Nos setores tradicionalmente sensíveis a desacelerações econômicas o emprego cai muito rapidamente, e isso é um sinal de que o mercado de trabalho ainda não está saudável", afirmou Avery Shenfeld, da CIBC World Markets.

Essas cifras mostram que a economia americana não é "robusta", admitiu o presidente George W. Bush - que se mostrou, no entanto, confiante de que a situação vai melhorar com seu plano de reaquecimento econômico.

Para o Federal Reserve (Fed), por outro lado, esses números significam um alívio, pois contribuem para que o atual ciclo de flexibilização monetária possa ser temporariamente interrompido. Na quarta-feira, o banco central americano voltou a cortar sua taxa de juros em 0.25 ponto percentual, situando-a em 2%.

"Para permitir que haja novos cortes nas taxas, o Fed precisará de uma diminuição das turbulências dos mercados financeiros. Neste momento, as tendências do emprego são um fator favorável para a pausa desejada pelo Fed", concluiu Gallagher.

cg/ap/sd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG