EUA mediam para que Abbas não deixe negociações com Israel

Presidente palestino disse em discurso na ONU que Israel deve escolher "entre a paz e a continuidade dos assentamentos"

EFE |

Os Estados Unidos intensificaram neste sábado sua mediação entre israelenses e palestinos para evitar que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, cumpra sua ameaça e se retire das negociações de paz com Israel se a moratória sobre as colônias judias não for ampliada.

"O presidente Abbas e o enviado especial, George Mitchell, se reuniram hoje durante 30 minutos em Nova York. Os Estados Unidos mantêm seu compromisso com as duas partes", indicou hoje o porta-voz do Departamento de Estado americano, Philip Crowley, mediante uma mensagem na rede social Twitter.

Pouco antes, Crowley assinalou que o Governo do presidente Barack Obama "faz todo o possível para que se mantenham as negociações diretas entre as partes".

Reuters
Abbas em discurso na ONU neste sábado
Abbas, em seu discurso perante a Assembleia Geral da ONU que acontece em Nova York, assegurou que Israel deve escolher " entre a paz e a continuidade dos assentamentos ", em referência à moratória sobre os assentamentos de colonos judeus na Cisjordânia que expira à meia-noite do dia 26 de setembro.

O porta-voz do Departamento de Estado acrescentou que o mediador dos EUA e ex-senador americano, George Mitchell, se reunirá ao longo do dia com o presidente Abbas.

Negociações

As negociações de paz entre palestinos e israelenses foram retomadas em setembro, mediadas pelos Estados Unidos, depois de uma interrupção de 20 meses. Mas os palestinos já ameaçaram sair da negociação a não ser que Israel estenda o prazo de congelamento na construção de assentamentos na Cisjordânia. Este prazo de dez meses deve terminar neste domingo.

Até o momento, Israel se recusou a estender o prazo, afirmando que a construção de assentamentos não impede as negociações de paz. De acordo com a correspondente da BBC em Nova York Bridget Kendall, há indicações que uma negociação frenética ainda está ocorrendo nos bastidores para evitar que os palestinos se retirem das negociações.

Faixa de Gaza
Em seu discurso, Abbas também afirmou que os palestinos querem colaborar com os esforços do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para continuar com as negociações de paz.

Mas, ele também citou outros problemas dos palestinos com Israel, incluindo o bloqueio à Faixa de Gaza e os milhares de palestinos que ainda estão presos pelos israelenses.

"O bloqueio israelense impede que nosso povo na Faixa de Gaza reconstrua suas casas, apesar do fato de a comunidade internacional de doadores ter prometido aproximadamente US$ 5 bilhões para financiar a reconstrução."
"Este bloqueio contra a Faixa de Gaza deve ser suspenso imediata e completamente", afirmou.

As negociações diretas entre israelenses e palestinos foram retomadas em Washington no inicio deste mês, quase dois anos após terem sido suspensas em consequência da ofensiva de Israel à Faixa de Gaza, ocorrida em dezembro de 2008 e janeiro de 2009.

O Quarteto - grupo formado pelos Estados Unidos, Organização das Nações Unidas (ONU), Rússia e União Europeia - que tem um papel fundamental na intermediação do processo de paz no Oriente Médio, fez um apelo a Israel para que estenda o prazo do congelamento.

Na Cisjordânia - região reivindicada pelos palestinos para fazer parte de seu futuro Estado - existem mais de 150 assentamentos nos quais moram cerca de 300 mil colonos israelenses.

Outros 200 mil israelenses moram na parte oriental de Jerusalém, na qual os palestinos pretendem fundar sua capital.

O congelamento decretado pelo governo israelense se refere apenas à Cisjordânia e não inclui a construção em Jerusalém Oriental, anexada por Israel depois da guerra de 1967.

O Quarteto também pede que ambos os lados (israelenses e palestinos) evitem atos de provocação e pronunciamentos que possam acirrar os ânimos.

*Com informações da EFE e BBC Brasil

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