Por Jeremy Pelofsky WASHINGTON (Reuters) - O governo Obama libertou nesta segunda-feira um detido do presídio da Baía de Guantánamo, em Cuba, e o enviou de volta para o Afeganistão, na mais recente soltura da polêmica prisão, que está programada para fechar em cinco meses.

Mohammed Jawad foi acusado de lançar uma granada ferindo dois soldados norte-americanos e o intérprete deles em Cabul em 2002. Jawad, um dos prisioneiros mais jovens mantidos na prisão, está agora com a sua família em Cabul, de acordo com um dos advogados dele, o major da Força Aérea David Frakt.

"Ele tem um encontro marcado com o presidente (Hamid) Karzai mais tarde. Ele queria lhe dar as boas-vindas", disse Frakt à Reuters, acrescentando que inicialmente Jawad seria transferido para uma prisão afegã assim que chegasse.

"Eles estavam o tratando como um prisioneiro que estava sendo transferido e tivemos de relembrá-los de que ele era um homem livre", afirmou.

Jawad é o mais recente detido a ser solto da controversa prisão, que o presidente Barack Obama prometeu fechar até meados de janeiro de 2010. Entretanto, alguns legisladores questionam se ele poderá lidar com os 228 prisioneiros remanescentes até lá.

O governo espera julgar alguns deles em tribunais dos EUA ou em comissões militares. Mas muitos devem ser enviados para seus países de origem ou realocados para outros países porque poderiam ser perseguidos em seus países.

Em junho, três prisioneiros foram enviados à Arábia Saudita, um voltou para casa no Chade e outro foi para o Iraque. Quatro chineses uigures muçulmanos detidos em Guantánamo foram em junho para Bermudas porque temiam ser perseguidos na China.

No caso de Jawad, ele foi preso em 2002 e seus advogados argumentaram que ele tinha apenas 12 anos de idade. O Pentágono contestou a informação e disse que exames ósseos sugeriam que ele tinha 18 anos quando foi enviado para Guantánamo no começo de 2003.

A situação dele era especialmente difícil para o governo Obama não apenas porque era muito jovem, mas também porque boa parte da evidência contra ele foi descartada porque dois juízes disseram que ela foi obtida por meio de tortura.

Em julho, a juíza Ellen Juvelle ordenou a libertação dele de Guantánamo, onde permaneceu preso por mais de seis anos.

Autoridades do Departamento de Justiça dos EUA disseram que avaliavam a possibilidade de processar Jawad num tribunal federal dos EUA, mas nenhuma acusação foi apresentada.

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