Por Deborah Zabarenko WASHINGTON (Reuters) - Os ursos polares foram incluídos na quarta-feira na lista de espécies ameaçadas, como determina de uma lei norte-americana, devido ao degelo do seu habitat marinho.

Mas a inclusão na Lei de Espécies Ameaçadas (ESA, na sigla em inglês) não garante medidas de combate ao efeito estufa provocado pelas atividades humanas, o que o secretário de Interior, Dirk Kempthorne, admitiu ser o principal fator de ameaça ao habitat dos ursos.

'Embora os padrões legais sob a Lei das Espécies Ameaças me obriguem a listar o urso polar como ameaçado, quero deixar claro que isso não vai impedir o aquecimento global nem evitar que o gelo marinho se derreta', disse ele em entrevista coletiva.

'Qualquer solução real exige uma ação por parte de todas as grandes economias para ser eficaz', acrescentou ele, ecoando uma posição do governo Bush nos últimos tempos -- de que grandes países em desenvolvimento, como China e Índia, precisam se comprometer em reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

Os ursos polares vivem apenas no Ártico e dependem do gelo marinho como plataforma para caçar focas. O Serviço Geológico dos EUA diz que dois terços dos ursos polares do mundo -- cerca de 16 mil -- vão desaparecer até 2050 se as previsões sobre o derretimento das calotas polares se confirmarem.

É a primeira vez que a mudança climática leva uma espécie a entrar na lista das ameaçadas nos EUA. A decisão, na véspera de um prazo judicial, foi celebrada por ambientalistas, apesar das suas poucas consequências práticas.

'Ao negar uma vinculação direta entre as fontes da poluição do aquecimento global e a perda do habitat gelado marinho do urso polar, e ao negar que o urso polar seja protegido da exploração de gás e petróleo, [o governo] está simplesmente se dispondo a sentar e deixar que o urso polar se extinga', disse por telefone John Kostyack, da Federação Nacional da Vida Selvagem.

A decisão do governo deveria ter saído em janeiro, mas foi adiada sob a alegação de que não havia tempo para avaliar tantos dados científicos envolvidos. Em fevereiro, o Departamento de Interior vendeu por 2,66 bilhões de dólares os direitos de exploração de gás e petróleo numa área de 12 milhões de hectares na costa do Alasca, importante habitat de ursos polares.

No Canadá, onde vivem dois terços dos ursos polares, o governo sinalizou que não pretende seguir a iniciativa dos EUA.

O primeiro-ministro do território de Nunavut, Paul Okalik, lamentou em nota que os EUA tenham 'decidido ignorar fatos recolhidos por aqueles que têm maior contato e mais história com os ursos polares'.

Segundo ele, 'a verdade é que as populações de ursos polares estão em níveis quase recordes'. Há cerca de 15 mil ursos polares no território de Nunavut, terra do povo inuit (esquimó).

(Reportagem de Deborah Zabarenko, em Washington, David Ljunggren e Louise Egan, em Ottawa)

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