EUA já decidiram destino de metade dos presos de Guantánamo

WASHINGTON - O governo dos Estados Unidos já decidiu o destino de aproximadamente metade dos detentos da prisão de Guantánamo, e no máximo um quarto deles irá à julgamento, disse nesta quarta-feira o procurador-geral de Justiça norte-americano, Eric Holder.

Reuters |

A ordem do presidente dos EUA, Barack Obama, para fechar a prisão que abriga suspeitos de terrorismo em uma base naval em Cuba até o fim de janeiro encontrou resistência no Congresso, onde alguns parlamentares manifestam oposição à transferência de presos para o território do país.

Na semana passada, nove prisioneiros foram transferidos para Arábia Saudita, Bermuda, Iraque e Chade. Um detento, Ahmed Khalfan Ghailani, acusado de envolvimento nas explosões de 1998 em embaixadas dos Estados Unidos na África, foi mandado para Nova York e se tornou o primeiro preso a ser transferido para julgamento no território norte-americano.

"Já passamos por cerca de metade dos detentos nesse momento", disse Holder em audiência no Comitê Judiciário do Senado.

Há 229 pessoas ainda presas em Guantánamo. O centro de detenção, aberto após os ataques de 11 de setembro de 2011 nos Estados Unidos, atraiu a crítica internacional por causa da prisão por tempo indeterminado de pessoas, muitas vezes, sem acusações.

Quando pressionado sobre se o número de detentos a caminho de um julgamento será de 25% ou menos, ele respondeu: "isso pode estar mais ou menos certo".

Um porta-voz do Departamento de Justiça afirmou que o número final de detentos de Guantánamo que serão recomendados para um tribunal não estava determinado. Ele não disse o que foi decidido para metade da população carcerária de Guantánamo a respeito das medidas tomadas.

Obama disse que alguns dos prisioneiros podem acabar ficando sem julgamento, e Holder explicou que nesses casos deve haver alguma forma de revisão periódica de seus status.

Alguns parlamentares norte-americanos que expressaram preocupação sobre a ida de prisioneiros aos Estados Unidos afirmaram que eles são perigosos demais até para ficarem em prisões norte-americanas.

O senador democrata Patrick Leahy, presidente do comitê, desafiou essas preocupações e disse que "a retórica política afogou a razão e a realidade" no debate sobre a transferência de presos para os Estados Unidos.

Ele falou que o sistema de justiça criminal do país já lidou de forma segura com criminosos extremamente perigosos e com "mais do que poucos terroristas".

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