EUA irão comprar ações de bancos, anuncia Paulson

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, afirmou nesta sexta-feira que o governo americano irá comprar ações de bancos. Os comentários de Paulson foram feitos ao final de uma reunião de ministros das Finanças do G7, os sete países mais ricos do mundo, realizada em Washington, na sede do Departamento do Tesouro, nesta sexta-feira.

BBC Brasil |

''Estamos desenvolvendo estratégias para usar a autoridade de comprar e garantir bens hipotecários e de comprar ações em instituições financeiras, consideradas necessárias para promover a estabilidade do mercado financeiro'', afirmou Paulson.

Muitos analistas já diziam que a guinada intervencionista do governo dos Estados Unidos representaria o fim do modelo americano de capitalismo, marcado pela não-intervenção estatal e pela plena liberdade do mercado.

A ação anunciada nesta sexta-feira por Paulson leva ainda mais longe a intervenção do Estado americano no sistema financeiro do país.

É a primeira vez que o governo dos Estados Unidos anuncia uma medida dessa natureza desde a Grande Depressão.

Papel do G7
Além de anunciar um aprofundamento da recente guinada intervencionista americana, Paulson frisou também o papel dos demais países para conter a atual crise.

O secretário do Tesouro afirmou ainda que o G7 está comprometido a encontrar soluções coletivas para garantir a estabilidade financeira global e resgatar a saúde da economia mundial.

''Os eventos recentes mostraram que a turbulência dos mercados é um evento global'', afirmou Paulson.

O secretário do Tesouro acrescentou que os países do G7 estão buscando um plano internacional e abrangente de regulamentação do sistema financeiro.

Plano de ação do G7
O G7 lançou nesta sexta um comunicado com cinco pontos de ação.

Entre eles o de ''usar todas as ferramentas possíveis para apoiar sistematicamente importantes instituições financeiras e impedir suas falências'' e ''tomar todos os passos para garantir que bancos e outras instituições financeiras tenham pleno acesso à liquidez e ao financiamento''.

O grupo dos países ricos também destacou a necessidade de ''garantir que os bancos de nações diversas possam, quando necessário, levantar capital de fontes públicas, bem como privadas''.

O quarto ponto de ação foi o de ''assegurar que as garantias dos depósitos sejam robustas e consistentes".

O último ponto foi de se comprometer ''a tomar medidas, quando apropriado, para reativar os mercados secundários de hipotecas, e outros ativos titularizados''.

Emergentes
Neste sábado, Henry Paulson irá se encontrar com os ministros das Finanças e presidentes dos Bancos Centrais dos países que integram o G20, o grupo que reúne as nações mais ricas e os principais países emergentes.

O encontro foi uma iniciativa do Brasil, que atualmente preside o G20. O Brasil estará representado pelo ministro Guido Mantega.

Antes do encontro coletivo, na parte da tarde, Mantega e Paulson também manterão outra reunião, pela manhã.

Nesta sexta-feira, Paulson disse que ''está claro para mim e para os integrantes do G20 que nunca fomos tão interdependentes e conectados. A fraqueza dói a todos nós''.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG